Anjos e Demônios
Os Nove Coros Angélicos
A hierarquia celeste sistematizada pela tradição em nove ordens de espíritos puros, de Serafins a Anjos, distribuídas em três tríades.

- Tipo
- Coro angélico
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A partir de referências bíblicas dispersas — os querubins no Gênesis e em Ezequiel, os serafins na visão de Isaías (Is 6,2), os «tronos», «dominações», «principados», «potestades» e «virtudes» nas cartas de Paulo (Cl 1,16; Ef 1,21) e os arcanjos na carta de Judas —, a tradição cristã organizou os anjos em nove coros distribuídos em três hierarquias. A primeira (Serafins, Querubins, Tronos) contempla diretamente a Deus; a segunda (Dominações, Virtudes, Potestades) governa a ordem do cosmos; a terceira (Principados, Arcanjos, Anjos) atua mais diretamente sobre a história humana. Os nomes gregos originais das quatro ordens paulinas — thronoi, kyriotetes, archai e exousiai — mostram que Paulo não descrevia uma taxonomia sistemática, mas invocava as forças celestes para afirmar a soberania de Cristo sobre toda a criação. O Catecismo da Igreja Católica (n. 328) ensina que a existência desses seres espirituais é «uma verdade de fé», «tão clara como a unanimidade da Tradição», sem, contudo, definir a hierarquia em nove graus como artigo de fé.
A sistematização definitiva veio do tratado «Sobre a Hierarquia Celeste» (Peri tes ouranias hierarchias), atribuído por séculos a Dionísio Areopagita, o ateniense convertido por São Paulo em Atos 17,34. Na realidade, trata-se de uma obra de autor anônimo de língua grega, provavelmente um monge sírio, escrita por volta do ano 500 e influenciada pela filosofia neoplatônica de Proclo (412-485). A obra tem quinze capítulos: os capítulos 7 a 9 descrevem sucessivamente a primeira, a segunda e a terceira hierarquias. Pseudo-Dionísio define toda hierarquia angélica por três caracteres — purificação (katharsis), iluminação (photismos) e perfeicionamento (teleiosis) — e descreve a hierarquia como movimento duplo de iluminação descendente (cada grau recebe a luz de Deus conforme sua capacidade e a transmite aos inferiores) e de retorno amoroso ascendente.
A atribuição apostólica começou a ser contestada muito antes do Renascimento. A primeira menção pública do corpus ocorre no debate religioso de Constantinopla, por volta de 532-533, entre ortodoxos e severianos: o bispo Hipácio de Éfeso, líder dos ortodoxos, rejeitou as citações de «Dionísio Areopagita» como espúrias, argumentando que, se fossem autênticas, Cirilo e Atanásio as teriam usado contra os arianos. Em defesa da autenticidade surgiu, por volta de 540, o comentário de João de Citópolis, o primeiro a sustentar a datação apostólica; a autoridade da obra foi depois afirmada por Máximo, o Confessor, e pelo Concílio de Latrão de 649. No século XV, Lourenço Valla (1457) e Erasmo retomaram a crítica, e foi sobretudo a partir do século XIX que a crítica histórica aceitou a pseudonímia e consagrou o nome «Pseudo-Dionísio».
Dionísio não foi, porém, o primeiro a enumerar nove ordens. São Gregório Magno já apresentava nove coros angélicos nas Homilias sobre os Evangelhos (Hom. 34, 7-10), mas organizando-os a partir dos ministérios e com ordenação interna diferente da dionisiana — divergência que o próprio Tomás registra expressamente (Suma Teológica I, q. 108, a. 6). O fato de santos doutores divergirem sobre a colocação relativa de algumas ordens indica que a disposição dos nove coros pertence à tradição teológica coerente, mas não a uma definição dogmática. A síntese de Pseudo-Dionísio entre o cristianismo e o neoplatonismo exerceu influência decisiva sobre a teologia ocidental, especialmente em São Tomás de Aquino, que a incorporou à Suma Teológica (I, qq. 50-64 e 108), e — já na arte e na arquitetura — no abade Suger de Saint-Denis, que a utilizou na concepção do primeiro grande exemplar da arquitetura gótica.
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Querubins
Anjos e Demônios
Espíritos celestes de contemplação e guardiões das realidades sagradas — do Éden, da Arca da Aliança e do Templo —, situados no segundo grau da primeira hierarquia angélica, logo abaixo dos serafins.

Serafins
Anjos e Demônios
O coro angélico mais elevado, descrito por Isaías cantando eternamente a santidade de Deus diante do trono celeste — hino que a liturgia da Missa incorpora no Sanctus.

Tronos
Anjos e Demônios
Terceiro coro da primeira (mais elevada) hierarquia angélica; mencionados por São Paulo entre os seres criados em Cristo e associados à contemplação da majestade e do juízo de Deus, sobretudo na síntese de Pseudo-Dionísio e de São Tomás de Aquino.

Dominações
Anjos e Demônios
Coro angélico que abre a segunda tríade celeste, associado ao governo e à distribuição ordenada das tarefas aos espíritos inferiores.
