Anjos e Demônios
Anjo da Guarda
A doutrina católica de que cada pessoa é confiada, desde o nascimento, à proteção de um anjo pessoal, com festa celebrada em 2 de outubro.

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- Anjo da guarda
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A Igreja ensina, com base em passagens como Mateus 18,10 ("seus anjos no céu veem continuamente a face de meu Pai"), Salmo 91 (90),11 ("Ele deu ordens a seus anjos de te guardar em todos os teus caminhos") e Êxodo 23,20 ("Eis que envio um anjo à tua frente, para te guardar no caminho"), que cada pessoa é acompanhada ao longo de toda a vida por um anjo da guarda, cuja missão é proteger, iluminar e conduzir a alma para Deus. O Catecismo afirma: "Desde a infância até a morte, a vida humana é cercada pela guarda e intercessão dos anjos" (CIC 336), citando São Basílio Magno, para quem "cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida" (Adversus Eunomium, III, 1).
A crença de que cada um tem um anjo próprio está já no Novo Testamento: em Atos 12,15, quando Pedro, libertado da prisão, bate à porta da casa onde os discípulos oravam, estes acreditam tratar-se não do apóstolo em pessoa, mas do seu anjo. A ela se somam testemunhos dos Padres: São Jerônimo escreveu que "grande é a dignidade da alma, pois cada uma tem, desde o nascimento, um anjo encarregado de guardá-la" (Comentário a Mateus, XVIII); Santo Agostinho observa que os anjos "nos contemplam peregrinos, se compadecem de nós e nos auxiliam, por mandato do Senhor". A formulação teológica mais detalhada veio no século XIII, com São Tomás de Aquino, que dedicou toda a questão 113 da Primeira Parte da Suma Teológica à custódia dos anjos. Nela estabelece que "para cada homem é designado um anjo da guarda" e que a custódia cessa ao fim da peregrinação terrestre — no céu, o homem tem um anjo "correinante"; no inferno, um demônio punidor. Discute também se o anjo custódio permanece junto ao pecador (resposta afirmativa) e se sofre pelos males do custodiado.
A memória litúrgica desenvolveu-se lentamente na piedade cristã. Segundo uma tradição devocional, no ano 800 já se celebrava na Inglaterra uma festa aos Anjos da Guarda; a partir do século XV surgiu na Espanha uma celebração própria, difundida depois em Portugal e na Áustria. A oração tradicional "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador..." (em latim, Angele Dei, qui custos es mei) foi atribuída durante muito tempo a Santo Anselmo de Cantuária, por aparecer em coletâneas medievais de suas obras; a crítica posterior, porém, mostra que se trata de interpolação — provavelmente derivada da Vida de São Malco, escrita por Reginaldo de Cantuária (falecido c. 1109), contemporâneo de Anselmo. A versão inglesa popularizou-se no século XIX (Baltimore Manual of Prayers, 1888).
A separação da festa dos Anjos da Guarda da festa de São Miguel (29 de setembro) foi obra dos papas. Com o Missal de São Pio V (1570), as festas particulares dos anjos custódios foram suprimidas; em 1608 o Papa Paulo V restabeleceu-as em algumas regiões; em 1670 o Papa Clemente X estendeu a celebração a toda a Igreja de rito romano e fixou-a em 2 de outubro. Em 5 de julho de 1883, um decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, aprovado pelo papa Leão XIII, elevou a festa de grau "duplo menor" a "duplo maior" (texto em Acta Sanctae Sedis, vol. 16, pp. 47-48). A Igreja Ortodoxa prefere celebrá-la em 11 de janeiro. Segundo a tradição teológica, não apenas os indivíduos, mas também as nações, as famílias, as dioceses e as comunidades religiosas têm o seu anjo da guarda. Em 2005, o Parlamento italiano inspirou-se na figura do anjo da guarda ao instituir, na mesma data de 2 de outubro, a Festa dos Avós — desenvolvimento civil, sem valor de culto.
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