Sacramentais
Bênção de Casas e Objetos
Prática de pedir ao sacerdote — ou, em certos casos, ao próprio fiel — a bênção da casa, do local de trabalho ou de objetos, consagrando a Deus os espaços e instrumentos da vida cotidiana.

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Pedir a bênção de uma casa nova, de um veículo, de instrumentos de trabalho ou de outros bens é uma prática de devoção muito difundida, que exprime o desejo de consagrar a Deus os espaços e instrumentos da vida cotidiana, não apenas os momentos explicitamente "religiosos". O Catecismo da Igreja Católica situa essas bênçãos entre os sacramentais: "Entre os sacramentais figuram, em primeiro lugar, as bênçãos (de pessoas, da mesa, de objectos e lugares)" (CIC 1671), e recorda que elas "compreendem ao mesmo tempo o louvor de Deus pelas suas obras e a intercessão da Igreja para que os homens possam fazer uso dos dons de Deus segundo o espírito do Evangelho" (CIC 1678). A distinção técnica é entre bênçãos invocativas — que pedem o auxílio divino para o uso de um bem — e bênçãos constitutivas, de alcance duradouro, que reservam pessoas, objetos ou lugares ao culto (CIC 1672).
A disciplina litúrgica atual provém do Rituale Romanum reformado após o Concílio Vaticano II. O título próprio De Benedictionibus, promulgado em 1984 (com edições típicas posteriores em 1985, 1993 e 2013), substituiu o Benedictionale e reúne cerca de 179 bênçãos, das quais 95 são reservadas aos bispos — um contraste notável com as 29 bênçãos do Rituale Romanum de 1614. Entre esses ritos encontra-se o Ordo benedictionis novae domus ("Rito da bênção de uma casa nova"), uma das 51 bênçãos atualizadas do antigo livro de 1952. As regras gerais estabelecem que qualquer presbítero pode dar a bênção, salvo as reservadas ao Romano Pontífice ou aos bispos; certas bênçãos, porém, podem ser presididas por leigos, pois decorrem do sacerdócio baptismal (CIC 1669).
O rito tradicional da casa é simples e se baseia na aspersão com água benta. O sacerdote, ao entrar, saúda: "Pax huic domui" — "A paz seja nesta casa", ao que se responde "Et omnibus habitantibus in ea". Segue-se a aspersão dos principais cômodos com a antífona "Asperges me, Domine, hyssopo, et mundabor", uma oração e a repetição da aspersão. É notável que o formulário romano mais antigo invocava explicitamente a proteção do Anjo da guarda sobre a casa, "assim como outrora, na saída do Egito, foram preservadas as casas dos hebreus marcadas com o sangue do cordeiro" — figura do próprio Cristo.
No Brasil e em vários países, difundiu-se a "bênção da casa na Epifania": giz abençoado é distribuído e as famílias escrevem sobre a porta a inscrição do ano intercalada por cruzes e as letras C, M, B, com a fórmula "20 + C + M + B + 26". As letras lembram tradicionalmente os nomes atribuídos aos Magos — Caspar, Melchior e Balthasar — e são também lidas como abreviatura do latim Christus mansionem benedicat, "Cristo abençoe esta morada". A prática remonta à Europa medieval e repete-se a cada ano, recordando que o lar cristão pertence a Cristo.
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Os sacramentais e as exéquias cristãs
Catecismo
O capítulo final da segunda parte: os sacramentais instituídos pela Igreja e o significado litúrgico do funeral cristão.

Cruz de São Bento
Orações
Fórmula latina gravada na medalha de São Bento, tradicionalmente usada como proteção contra o mal.

Água Benta
Sacramentais
Água abençoada pela Igreja, usada como sinal de purificação e lembrança do Batismo.

Bênção
Sacramentais
Sacramental que invoca a proteção e a graça de Deus sobre pessoas, objetos ou ocasiões específicas.
