Anjos e Demônios
Tronos
Terceiro coro da primeira (mais elevada) hierarquia angélica; mencionados por São Paulo entre os seres criados em Cristo e associados à contemplação da majestade e do juízo de Deus, sobretudo na síntese de Pseudo-Dionísio e de São Tomás de Aquino.

- Tipo
- Coro angélico
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Os Tronos são mencionados por São Paulo entre as categorias de seres celestes criados em Cristo: "nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam Tronos, sejam Dominações, sejam Principados, sejam Potestades" (Cl 1,16). O termo grego usado é *thronoi*, e o propósito do Apóstolo, ao escrever aos Colossenses, é afirmar a soberania absoluta de Cristo sobre toda a criação, inclusive sobre as hierarquias espirituais que os destinatários da carta podiam ser tentados a temer ou venerar como potências autônomas. Paulo enumera nomes que a literatura judaica e cristã posterior entenderia como títulos de coros angélicos, embora ele mesmo não esteja propondo um sistema fechado.
Na sistematização clássica da hierarquia angélica, fixada por Pseudo-Dionísio Areopagita no tratado *Sobre a Hierarquia Celeste* (*De Coelesti Hierarchia*), os Tronos completam — com os Serafins e os Querubins — a primeira e mais elevada das três tríades, aquelas voltadas à contemplação imediata de Deus. O próprio Dionísio enumera-os como "a sagrada constelação dos Serafins, dos Querubins e dos Tronos" (cap. 7). Para ele, os Tronos representam a adesão imutável à presença de Deus; a segunda hierarquia (Dominações, Virtudes, Potestades) recebe a luz da primeira e a transmite à terceira; a terceira (Principados, Arcanjos, Anjos) executa as disposições divinas nos efeitos. O autor, que escreve sob o pseudônimo do Dionísio convertido por Paulo em Atenas (At 17,34), teria vivido entre o fim do século V e o início do VI.
São Gregório Magno, cuja leitura dos coros influenciou fortemente a tradição latina, seguia uma ordenação própria, tomando como base a lista de Paulo em Colossenses 1,16 e vendo nela uma numeração descendente. Em suas *Homilias sobre os Evangelhos* — que a Liturgia das Horas recolhe no Ofício das Leituras — o Papa explica que o nome "anjo" designa ofício, e não natureza: "É preciso saber que a palavra 'anjo' indica ofício, não a natureza. Pois estes santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados anjos, porque somente são anjos quando por eles algo é anunciado." Segundo a tradição que o cita, por meio dos Tronos Deus executa os seus juízos, e eles apresentam aos coros inferiores o esplendor da onipotência divina.
O nome deriva da imagem bíblica do trono de Deus (cf. Ez 1; Ap 4), sugerindo que esses espíritos refletem de modo especial a majestade, a estabilidade e a justiça divinas, como "assento" simbólico da presença de Deus. Santo Tomás de Aquino, na *Suma Teológica* (I, q. 108), confrontou os dois grandes sistemas — o de Pseudo-Dionísio, que ordena os coros sobretudo pelo grau de perfeição, e o de São Gregório Magno, que os ordena pela função —, e preferiu o esquema dionisiano, distribuindo os anjos em três hierarquias e nove coros segundo o modo como recebem e transmitem a luz divina. Nesse esquema, os Tronos ocupam o grau inferior da primeira hierarquia. Apoiando-se na Escritura, Tomás observa que Isaías fala dos Serafins, Ezequiel dos Querubins, Paulo dos Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades e Principados, e Judas dos Arcanjos.
A Igreja nunca definiu dogmaticamente a estrutura dos nove coros como doutrina de fé: trata-se de uma síntese teológica tradicional, apoiada na Escritura e sobretudo na autoridade de Pseudo-Dionísio, e não de uma revelação explícita sobre a organização exata do mundo angélico. O Catecismo (nn. 328-330) limita-se a afirmar a existência dos anjos como criaturas espirituais e o seu serviço no plano da salvação, sem fixar a lista dos coros. Na arte cristã, os Tronos costumam ser representados como rodas aladas ou tronos flamejantes, frequentemente ecoando a visão de Ezequiel.
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Os Nove Coros Angélicos
Anjos e Demônios
A hierarquia celeste sistematizada pela tradição em nove ordens de espíritos puros, de Serafins a Anjos, distribuídas em três tríades.

Serafins
Anjos e Demônios
O coro angélico mais elevado, descrito por Isaías cantando eternamente a santidade de Deus diante do trono celeste — hino que a liturgia da Missa incorpora no Sanctus.

Dominações
Anjos e Demônios
Coro angélico que abre a segunda tríade celeste, associado ao governo e à distribuição ordenada das tarefas aos espíritos inferiores.

Principados
Anjos e Demônios
Coro angélico da terceira tríade celeste, associado na tradição ao governo e à proteção de povos, nações e instituições humanas, com São Miguel como seu chefe típico.
