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Anjos e Demônios

Dominações

Coro angélico que abre a segunda tríade celeste, associado ao governo e à distribuição ordenada das tarefas aos espíritos inferiores.

Dominações
Vitral dos nove coros angélicos, igreja de St Michael and All Angels, Somerton (Inglaterra). Fotografia em Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.
Tipo
Coro angélico

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As Dominações (em grego kyriotetes; em latim dominationes) figuram entre os seres celestes nomeados por São Paulo — «tronos, dominações, principados, potestades» (Cl 1,16) e «todo principado, potestade, virtude e dominação» (Ef 1,21). Na hierarquia sistematizada por Pseudo-Dionísio Areopagita no tratado De Coelesti Hierarchia, as Dominações são o primeiro e mais alto coro da segunda tríade angélica, que completam as Virtudes e as Potestades. Enquanto a primeira tríade (Serafins, Querubins e Tronos) é associada à contemplação direta de Deus, esta segunda tríade é descrita como a que governa e ordena a criação: à segunda hierarquia pertencem os anjos que recebem os desígnios divinos como causas universais e os distribuem aos coros inferiores.

Segundo essa síntese, cabe às Dominações o domínio supremo sobre a ordem criada e a coordenação das missões confiadas aos anjos inferiores, que lhes são obedientes. São Gregório Magno resumiu essa função numa frase retomada pelos autores posteriores: «Algumas fileiras do exército angélico chamam-se Dominações, porque os restantes lhe são submissos». Pseudo-Dionísio liga o próprio nome do coro ao senhorio divino: as Dominações participam, na medida possível a uma criatura, da soberania de Deus e por isso recebem «missões mais relevantes» na alta nobreza celeste. Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica I, q. 108, a. 6, situa-as no ápice do grau intermediário, o «governo geral» que compreende profundamente as razões da criação e estabelece os caminhos pelos quais a providência se efetiva.

A imagem tradicional representa as Dominações com cetro e globo (ou coroa), sinais de uma autoridade que é sempre subordinada à soberania única de Deus. O vitral dos nove coros da igreja de St Michael and All Angels, em Somerton (Inglaterra), é um exemplo da iconografia ocidental que as figura com o atributo do comando.

Como os demais coros que não os três arcanjos nomeados na Escritura, as Dominações não têm festa litúrgica própria no calendário romano: a Igreja celebra coletivamente os anjos na memória dos Santos Anjos da Guarda (2 de outubro, introduzida no calendário romano em 1615) e na festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael (29 de setembro). A menção das Dominações serve sobretudo para exprimir a grandeza e a diversidade da criação angélica, tema que o Catecismo retoma com sobriedade (n. 328-330), evitando especulações sobre a hierarquia exata dos anjos.

A atribuição tradicional da obra a «Dionísio, o Areopagita» — o convertido ateniense de At 17,34 — é hoje rejeitada pela crítica: o corpus dionisiano é obra de um teólogo anônimo, provavelmente sírio e de formação neoplatônica, escrita em grego no final do século V ou início do VI. A tradução siríaca feita por Sérgio de Resaina no início do século VI serve como terminus ante quem para o original grego, e a versão latina de João Escoto Erígena, concluída em 862 a pedido de Carlos, o Calvo, difundiu-a no Ocidente medieval. A vinculação das Dominações ao «governo geral» afirma-se, portanto, sobre uma autoridade de atribuição espúria — o que não impediu sua enorme influência sobre a escolástica.

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