Anjos e Demônios
Principados
Coro angélico da terceira tríade celeste, associado na tradição ao governo e à proteção de povos, nações e instituições humanas, com São Miguel como seu chefe típico.

- Tipo
- Coro angélico
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Os Principados (em grego archai; em latim principatus) aparecem entre os seres celestes elencados por São Paulo (Cl 1,16; Ef 1,21; Ef 3,10) e ocupam, na hierarquia de Pseudo-Dionísio Areopagita, o primeiro posto da terceira e última tríade, ao lado dos Arcanjos e dos Anjos. Essa é a tríade descrita como a que «é próxima ao mundo dos homens» e ministra a ação providencial, aplicando as disposições divinas às realidades concretas. O capítulo IX da Hierarquia Celeste trata justamente dos Principados, Arcanjos e Anjos, e o próprio autor define o nome: o termo «principados celestes» refere-se ao mando principesco que tais anjos exercem à imitação de Deus, à capacidade de se orientarem plenamente para «o Princípio que está sobre todo princípio» e de, como príncipes, guiar outros para Ele, dando a conhecer «este supraessencial Princípio de todo orden».
A tradição teológica, retomada por Santo Tomás de Aquino (Suma Teológica I, q. 108), atribui aos Principados o zelo pelas grandes coletividades humanas — povos, nações, reinos e instituições —, uma providência exercida sobre realidades coletivas, distinta da proteção individual confiada ao anjo da guarda. Essa leitura apoia-se sobretudo em Daniel 10, onde um «príncipe» angélico (identificado tradicionalmente com Miguel, «o príncipe de Israel») atua em favor do povo eleito diante de um «príncipe do reino da Pérsia» que se lhe opõe, e também em Daniel 12 — passagem em que a exegese posterior viu tanto o cuidado angélico pelas nações quanto a existência de anjos decaídos ligados a potências hostis. São Gregório Magno, nas Homilias sobre os Evangelhos (Hom. 34, 8-9), inclui os Principados entre os nove coros e os descreve como as fileiras que presidem, submetendo-se a Deus, ao governo dos que lhes são inferiores.
Um ponto relevante, e com frequência esquecido, é que os grandes doutores divergem sobre a colocação exata deste coro. Pseudo-Dionísio segue a enumeração de Efésios 1,21 e situa os Principados no primeiro grau da terceira hierarquia, acima dos Arcanjos; São Gregório Magno, porém, embora também liste nove coros, distribui-os segundo outra lógica de ministérios e não coincide em todos os detalhes. Santo Tomás registra expressamente essa divergência (q. 108, a. 6), o que mostra que a posição relativa de cada coro pertence à elaboração teológica e não a uma definição dogmática. O Catecismo da Igreja Católica cita a expressão paulina «tronos, dominações, principados, potestades» (Col 1,16) para afirmar que tudo foi criado «por meio dele e para ele» (CIC 331), sem definir a hierarquia como artigo de fé, mas acolhendo-a como expressão da Tradição sobre a variedade dos espíritos angélicos.
Embora sem definição dogmática sobre sua natureza, a função de proteção coletiva alimentou devoções como a dos «anjos guardiões das nações» e permanece um modo tradicional de a piedade católica exprimir que a providência de Deus alcança também as realidades sociais e políticas, e não apenas os indivíduos. Como os demais coros não nomeados na liturgia, os Principados não têm festa própria no calendário romano, que celebra os anjos coletivamente na memória dos Santos Anjos da Guarda (2 de outubro, introduzida no calendário romano — segundo as fontes litúrgicas correntes — em 1615) e na festa dos Arcanjos (29 de setembro). Na arte sacra, o coro é representado com frequência nos ciclos dos nove coros angélicos, como nos vitrais da igreja de St Michael and All Angels, em Somerton (Inglaterra), ou nos mosaicos de gerarchie angeliche do Batistério de Florença.
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Os Nove Coros Angélicos
Anjos e Demônios
A hierarquia celeste sistematizada pela tradição em nove ordens de espíritos puros, de Serafins a Anjos, distribuídas em três tríades.

Serafins
Anjos e Demônios
O coro angélico mais elevado, descrito por Isaías cantando eternamente a santidade de Deus diante do trono celeste — hino que a liturgia da Missa incorpora no Sanctus.

Tronos
Anjos e Demônios
Terceiro coro da primeira (mais elevada) hierarquia angélica; mencionados por São Paulo entre os seres criados em Cristo e associados à contemplação da majestade e do juízo de Deus, sobretudo na síntese de Pseudo-Dionísio e de São Tomás de Aquino.

Dominações
Anjos e Demônios
Coro angélico que abre a segunda tríade celeste, associado ao governo e à distribuição ordenada das tarefas aos espíritos inferiores.
