Anjos e Demônios
São Miguel Arcanjo
"Quis ut Deus?" (Quem como Deus?) — o príncipe da milícia celeste, protetor da Igreja e dos enfermos, invocado contra o demônio.

- Tipo
- Arcanjo
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Miguel (do hebraico Mi-ka-El, "Quem é como Deus?") é o único anjo a quem a Sagrada Escritura dá o título de "arcanjo" (Jd 9). Aparece no livro de Daniel como "o grande príncipe, defensor do teu povo" (Dn 12,1) e como aquele que assiste o povo de Israel na luta contra o "príncipe da Pérsia" (Dn 10,13.21). No Apocalipse lidera os anjos fiéis na batalha contra o dragão: "E houve uma guerra no céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão" (Ap 12,7), e na Epístola de Judas disputa com o demônio o corpo de Moisés, respondendo-lhe sem injúria: "Que o Senhor te repreenda" (Jd 9). O livro de Enoque (1 En 20), canônico na Igreja Ortodoxa Etíope, lista-o entre os sete arcanjos que estão diante da glória de Deus.
O culto de Miguel firmou-se muito cedo no Oriente, sobretudo por sua fama de protetor dos doentes. Em Frígia e na Ásia Menor brotavam fontes atribuídas à sua intercessão — a de Chairotopa e a de Colossas (Chonae, atual Khonas, junto ao rio Lico), onde se celebrava o "Milagre de Chonae". Em Constantinopla era considerado tanto médico celestial quanto protetor militar: Constantino teria erguido em Sosthenion, cerca de oitenta quilômetros ao sul da cidade, o santuário chamado "Michaelion", onde os enfermos passavam a noite à espera de uma manifestação do arcanjo. A festa oriental principal, a "sinaxe" no santuário de Arcádio, foi fixada a 8 de novembro e difundiu-se às Igrejas siríaca, armênia e copta. Segundo a tradição, Miguel apareceu ao imperador Constantino antes da batalha contra Maxêncio, com a inscrição "Com este sinal vencerás".
No Ocidente, o centro do culto foi o santuário do Monte Gargano, na Apúlia. O relato mais antigo, o *Liber de apparitione sancti Michaelis in Monte Gargano*, recolhe três episódios: o "episódio do touro", o da vitória dos lombardos (considerada milagrosa em 8 de maio, provavelmente na guerra entre o príncipe Grimoaldo e os bizantinos, 662-663) e o da consagração da gruta. A tradição situa as primeiras aparições entre o fim do século V e as primeiras décadas do século VI — as datas propostas variam entre 490, 492 e 493 — e liga a consagração da gruta ao bispo Lourenço Maiorano de Siponto, que teria sido advertido pelo arcanjo de que ele mesmo já havia consagrado o lugar. Os reis lombardos e depois os imperadores do Sacro Império (Otão III, Henrique II) honraram o santuário; cunhavam a imagem de Miguel em moedas e estandartes. A festa da Aparição, a 8 de maio, e a da Dedicação da basílica, a 29 de setembro, mantiveram-se distintas por séculos.
A Igreja venera Miguel como chefe da milícia celeste e protetor especial do povo de Deus. A invocação mais conhecida é a oração composta pelo papa Leão XIII, acrescentada em 1886 às "Orações Leoninas" rezadas após as missas baixas: "São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate...". A lenda segundo a qual o papa teria escrito a oração após uma visão de espíritos malignos descendo sobre Roma circulou amplamente a partir de um artigo de jornal alemão de 1933, mas o padre Bers já em 1885 não encontrou nenhuma prova documental do episódio, e as fontes próximas à instituição da oração nada dizem dele — os estudiosos modernos, como Kevin Symonds, tratam o relato como invenção posterior. Em 1890 Leão XIII compôs ainda o Exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas, que incorpora uma oração a São Miguel e foi inserido no Ritual Romano; a fórmula foi abreviada na edição de 1902. A oração após a missa deixou de ser obrigatória com a reforma litúrgica pós-conciliar, por volta de 1964-1965, mas continua rezada em muitas paróquias e pela devoção dos fiéis. Miguel é também o grande intercessor invocado nos exorcismos e padroeiro de numerosas nações e corpos de polícia e militares.
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Oração a São Miguel Arcanjo
Orações
Oração de proteção espiritual composta por Leão XIII em 1886 e recitada, em alguns lugares, ao fim da Missa até a reforma litúrgica de 1964.

São Gabriel Arcanjo
Anjos e Demônios
"Força de Deus" — o arcanjo mensageiro que anunciou a Daniel, a Zacarias e a Maria os planos de Deus; padroeiro das comunicações e, desde 1972, também das postas.

São Rafael Arcanjo
Anjos e Demônios
"Deus cura" — o arcanjo companheiro de viagem que, no livro de Tobias, curou a cegueira de Tobit e libertou Sara do demônio Asmodeu; um dos sete anjos que assistem diante da glória de Deus.

Asmodeu
Anjos e Demônios
Demônio do Livro de Tobias que matava os sucessivos maridos de Sara na noite de núpcias, até ser afugentado pelo arcanjo Rafael; nome associado ao persa Aeshma Daeva, o demônio da ira.
