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Anjos e Demônios

Asmodeu

Demônio do Livro de Tobias que matava os sucessivos maridos de Sara na noite de núpcias, até ser afugentado pelo arcanjo Rafael; nome associado ao persa Aeshma Daeva, o demônio da ira.

Asmodeu
Tipo
Demônio

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O nome Asmodeu (em hebraico Ashmedai, em grego Asmodaios) remonta, segundo a maior parte dos estudiosos, ao avestano aēšma-daēva, onde aēšma significa "ira" e daēva, "demônio" — ou seja, o demônio da ira do zoroastrismo, ligado à violência e à espada sangrenta. A forma composta não está atestada na Escritura zoroastriana, mas crê-se que tenha existido e que dela derivem tanto o Asmodaios do Livro de Tobias como o Ashmedai da tradição judaica. Essa origem reflete o contato da religiosidade judaica com a cultura persa no período aquemênida, posterior ao exílio na Babilônia. Uma etimologia alternativa, hoje minoritária, liga o nome à raiz hebraica shamad, "destruir, aniquilar".

No Livro de Tobias, texto deuterocanônico do Antigo Testamento (provavelmente dos séculos III-II a.C.), Asmodeu é o principal antagonista: apaixonado por Sara, filha de Raguel, ele mata, um após outro, sete maridos dela na noite de núpcias, antes que os casamentos se consumassem, e por isso a jovem chega a ser acusada pelas servas de ter matado os próprios maridos (Tb 3,7-9). Um detalhe frequentemente esquecido é que o próprio Tobias, em Tb 6,15, diz que o demônio não faz mal a Sara porque a ama — o que aproxima Asmodeu do tema do ciúme possessivo. É a tradição posterior, e não o texto bíblico, que o fará padroeiro da luxúria; o teólogo Pedro Binsfeld, no fim do século XVI, classificou-o como o demônio da luxúria entre os vícios capitais.

Quando Tobias, orientado pelo arcanjo Rafael disfarçado de companheiro de viagem, pede Sara em casamento, Rafael o instrui a queimar o coração e o fígado de um peixe capturado durante a jornada no rio Tigre; a fumaça resultante afugenta Asmodeu até o "alto Egito", onde o próprio Rafael o prende e o amarra (Tb 6,16-18; 8,2-3). Antes de partir, Rafael também ensina Tobias a conservar a oração e o casamento casto durante as três primeiras noites, como remédio contra o mal. O episódio ilustra o tema central do livro: a providência de Deus que age pela mediação angélica para proteger a família e restaurar a esperança em meio ao sofrimento.

Fora da Bíblia, Asmodeu teve vida literária longa. O Testamento de Salomão, obra mística dos primeiros séculos da era cristã, reescreve o episódio: é o próprio rei Salomão quem queima o fígado do peixe e subjuga Asmodeu, fazendo-o trabalhar na construção do Templo. No Talmud, Ashmedai aparece como "rei dos demônios" (Pesaḥim 110a) e protagonista de ciclos lendários em que engana e é enganado por Salomão; segundo uma tradição midráshica, seria filho do rei Davi, o que explicaria sua pretensão ao trono. Na arte e nos grimórios medievais, Asmodeu costuma ser representado com três cabeças — de homem, de carneiro e de touro —, montado num dragão. Toda essa matéria pertence à literatura e ao folclore, não à revelação: a Igreja reconhece a existência dos anjos caídos e dos demônios, mas não define uma hierarquia nominal entre eles.

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Fontes

  • Tobias 3,7-9; 6,15-18; 8,2-3
  • Wikipédia, verbete "Asmodeus" (etimologia aēšma-daēva e classificação de Pedro Binsfeld como demônio da luxúria)
  • Jewish Encyclopedia, verbete "Asmodeus / Ashmedai" (Kaufmann Kohler e Louis Ginzberg)
  • Talmud, Pesaḥim 110a; Testamento de Salomão
  • Dictionnaire Infernal, de J.-A.-S. Collin de Plancy, 6.ª ed., 1863 (gravura de Asmodeu, Wikimedia Commons)

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