Anjos e Demônios
Belzebu
Nome dado no Novo Testamento a Satanás como "príncipe dos demônios", derivado de uma antiga divindade filisteia de Ecrom e provavelmente deformado por trocadilho de desprezo.

- Tipo
- Demônio
Tamanho do texto
O nome Belzebu (no grego dos Evangelhos, Beelzeboul) remete ao hebraico Baal-Zebub, "senhor das moscas", título de uma divindade filisteia venerada na cidade de Ecrom. O Segundo Livro dos Reis narra que o rei Acazias, doente, envia mensageiros para consultar esse deus em vez do Deus de Israel; o profeta Elias intercepta os emissários e anuncia a morte do rei em castigo por ter procurado "um deus de Ecrom" (2Rs 1,2-16). Na Septuaginta, o nome aparece explicitamente como "Baal-mosca, deus de Acaron".
Os estudiosos discutem o sentido original do título. Uma corrente o lê literalmente como "senhor das moscas"; outra sustenta que a forma original seria Baal-Zebul, "senhor da morada" ou "senhor exaltado" (da raiz zevul, "mansão", "habitação elevada"), e que os copistas hebreus a teriam deformado de propósito para "senhor das moscas" ou mesmo "senhor do esterco", num trocadilho de escárnio contra o culto de Baal. A literatura rabínica trata o termo como zombaria do culto idolátrico. Essa ambiguidade explica por que, no Novo Testamento, circula sobretudo a forma Beelzeboul, e não Baal-Zebub.
No Evangelho, o nome designa o próprio Satanás enquanto "príncipe dos demônios". Os fariseus acusam Jesus de expulsar demônios "pelo poder de Belzebu" (Mt 12,24; Mc 3,22; Lc 11,15); em Mt 9,34 a mesma acusação já aparecera. Jesus refuta-a com o argumento de que "todo reino dividido contra si mesmo será devastado" — não faria sentido Satanás expulsar a si mesmo — e afirma que expulsa os demônios "pelo dedo de Deus" (Lc 11,20) ou "pelo Espírito de Deus" (Mt 12,28), sinal de que o Reino de Deus chegou. Em Mt 10,25 o próprio Jesus parece jogar com o sentido de "senhor da casa": se chamaram o dono da casa de Beelzebul, quanto mais os seus domésticos.
A tradição espiritual posterior manteve Belzebu como um dos nomes usados para designar a chefia do mal no mundo. É preciso, porém, não confundir a Escritura com uma "hierarquia infernal" detalhada: o Antigo e o Novo Testamento não oferecem um rol ordenado de demônios. A demonologia sistemática — como a que, a partir do século XVI, classificou demônios por vícios capitais — é elaboração teológica e folclórica posterior, popularizada por obras como o Dictionnaire Infernal (1818) de Jacques-Albin-Simon Collin de Plancy, e não doutrina definida pela Igreja. Nesse acervo, a figura de Belzebu aparece, por exemplo, na gravura de Louis Le Breton para a sexta edição dessa obra (1863), que o descreve como "o príncipe dos demônios, o primeiro em poder e crimes depois de Satanás".
Continue sua leitura

Legião
Anjos e Demônios
Nome evocado por um homem possuído pela multidão de espíritos impuros que o dominavam, no episódio evangélico do endemoninhado geraseno.

Asmodeu
Anjos e Demônios
Demônio do Livro de Tobias que matava os sucessivos maridos de Sara na noite de núpcias, até ser afugentado pelo arcanjo Rafael; nome associado ao persa Aeshma Daeva, o demônio da ira.

Preguiça (Acídia)
Pecados
Negligência ou desânimo espiritual — a acídia dos Padres do deserto, o 'demônio do meio-dia' — que leva a abandonar os deveres e a resistir ao esforço do crescimento na vida cristã.

O Endemoninhado de Gerasa
Milagres de Jesus
Jesus liberta um homem possuído por uma legião de demônios, que são enviados para uma manada de porcos.
