Pecados · 7º pecado capital
Preguiça (Acídia)
Negligência ou desânimo espiritual — a acídia dos Padres do deserto, o 'demônio do meio-dia' — que leva a abandonar os deveres e a resistir ao esforço do crescimento na vida cristã.

- Virtude oposta
- Diligência (fervor espiritual)
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Na tradição monástica antiga, o pecado capital hoje chamado "preguiça" era designado pela palavra grega "acídia" (akēdía), que não indica apenas a preguiça física comum, mas um tédio ou desânimo espiritual profundo, uma tristeza difusa diante dos bens espirituais que leva o monge a negligenciar os próprios deveres — inclusive a oração — e a resistir ao esforço necessário para perseverar. É oposta ao "fervor" ou "diligência" na busca daquilo que verdadeiramente importa.
A formulação original encontra-se nos Padres do deserto. Evágrio Pôntico (c. 346-399), em obras como o "Tratado da vida prática" (Praktikós) e "Oito pensamentos", descreve oito "pensamentos" ou demônios que acossam o asceta: gula, fornicação, avareza, tristeza, ira, acídia, vanglória e orgulho. A acídia recebe aí um tratamento especial — Evágrio a chama "o mais opressivo de todos os demônios" e "demônio do meio-dia", numa alusão ao Salmo 90 (91 na numeração hebraica): "não temerás... o demônio que devasta ao meio-dia" (Vulgata: ab incursu et daemonio meridiano). Para Evágrio, a acídia é um pensamento "composto", que nasce ao mesmo tempo da parte concupiscível e da irascível e "abarca quase todos os outros pensamentos", ameaçando sufocar o intelecto como o sol a pino que abrasa os campos.
João Cassiano (c. 360-c. 435), no "De institutis coenobiorum" e nas "Collationes", transmitiu ao Ocidente essa doutrina dos oito vícios, latinizando-os (gastrimargia, fornicatio, philargyria, ira, tristitia, acedia, cenodoxia, superbia) e fixando a expressão "meridianum daemonem". Foi, porém, São Gregório Magno, nos "Moralia in Iob" (século VI), que reduziu a lista a sete cabeças, gênese da enumeração posterior dos pecados capitais. Na lista gregoriana figura a "tristitia" no lugar da acídia, e a fusão das duas — com o deslocamento do sentido para a negligência — consolidou o que o Catecismo da Igreja Católica chama "a preguiça ou negligência (acédia)" (n. 1866, que cita expressamente São João Cassiano e São Gregório Magno e distingue os vícios em soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça ou negligência).
Na síntese escolástica, Santo Tomás de Aquino define a acídia como a tristeza diante do bem espiritual divino, tratando-a como vício capital em razão de seu poder de gerar outros males (Suma Teológica). É nessa chave que o Catecismo (nn. 1846-1876) situa a doutrina do pecado e dos vícios capitais: chamados "capitais" porque são geradores de outros pecados e vícios, ainda que não sejam necessariamente e sempre pecados mortais.
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Os sete pecados capitais
Crisma
Soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça: vícios enraizados que geram e alimentam outros pecados.

Soberba
Pecados
O primeiro e, para a tradição espiritual, o mais grave dos pecados capitais: o amor desordenado da própria excelência.

Avareza
Pecados
Apego desordenado aos bens materiais e à riqueza, que fecha o coração à partilha e à confiança na providência de Deus.

Luxúria
Pecados
Busca desordenada do prazer sexual, desligada do sentido unitivo e procriativo que a Igreja reconhece na sexualidade humana.
