Anjos e Demônios
Serafins
O coro angélico mais elevado, descrito por Isaías cantando eternamente a santidade de Deus diante do trono celeste — hino que a liturgia da Missa incorpora no Sanctus.

- Tipo
- Coro angélico
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Os serafins aparecem uma única vez na Bíblia, na visão inaugural do profeta Isaías, situada "no ano em que morreu o rei Ozias" (Is 6,1). Ozias (também chamado Azarias) reinou sobre Judá de cerca de 792 a 740 a.C. e morreu leproso, excluído do templo (2 Cr 26) — a datação da visão é fixada pelos estudiosos em torno de 740/739 a.C., no início do ministério profético de Isaías. No relato, o profeta vê o Senhor sentado num trono alto e sublime, com as orlas do manto enchendo o templo, e "serafins" pairando acima dele: cada um com seis asas — duas para cobrir o rosto, duas para cobrir os pés e duas para voar (Is 6,2).
O nome deriva do hebraico *seraphim*, ligado à raiz *saraph*, "queimar"/"ardente", provavelmente por associação ao ardor de seu amor e à proximidade da glória divina. É significativo que a mesma raiz designe, em outras passagens, as serpentes "abrasadoras" do deserto (cf. Nm 21,6) — o que tem levado exegetas a discutir se Isaías descreve seres alados de forma serpentina ou simplesmente "ardentes". O cântico que entoam, clamando uns aos outros "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia da sua glória" (Is 6,3), é a fonte direta do *Sanctus* (ou *Trisagion* angelical) da Missa; a tríplice repetição de "Santo", em hebraico, funciona como superlativo — Deus é o Santo por antonomásia. O *Sanctus* foi incorporado à liturgia cristã no final do século IV, concluindo o prefácio antes da oração eucarística, e a ele se acrescentou o *Benedictus* ("Bendito o que vem em nome do Senhor"), tomado de Mt 21,9 e do Salmo 117.
Na sistematização da hierarquia celeste feita por Pseudo-Dionísio Areopagita no tratado *Sobre a Hierarquia Celeste* (*De Coelesti Hierarchia*, cerca de 15 capítulos), os serafins ocupam o primeiro e mais elevado grau da primeira hierarquia (cap. 7), ao lado dos querubins e dos tronos — os espíritos voltados à contemplação imediata de Deus. Segundo essa leitura, a posição dos serafins decorre da maior proximidade com Deus e da participação mais intensa na contemplação e comunicação da luz divina; suas propriedades seriam o movimento perpétuo em torno dos segredos divinos, o calor e a iluminação. Santo Tomás de Aquino acolheu e sistematizou esse esquema na *Suma Teológica* (I, q. 108), retomando a distribuição em três hierarquias e nove coros e explicando que os anjos superiores têm visão mais universal das coisas porque as aprendem diretamente de Deus.
A Igreja nunca definiu dogmaticamente a lista dos nove coros como artigo de fé: trata-se de uma síntese teológica tradicional, firmemente enraizada na Escritura (Isaías fala dos serafins, Ezequiel dos querubins, Paulo dos tronos, dominações, virtudes, potestades e principados, Judas dos arcanjos) e na autoridade de Pseudo-Dionísio, mas apresentada como quadro de referência e não como revelação explícita sobre a estrutura do mundo angélico. Na arte, os serafins aparecem comumente como pequenos rostos vermelhos entre seis asas, na tradição dos manuscritos iluminados medievais.
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