Ir para o conteúdo
Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
Acender uma vela

Arte Sacra · Símbolo 8

O Triângulo Trinitário

A figura geométrica de três lados iguais e um só contorno como símbolo visual da unidade e igualdade das três Pessoas divinas, e o diagrama medieval do "Escudo da Fé" (Scutum Fidei) com suas doze proposições "é / não é".

O Triângulo Trinitário
Nheyob — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (2016)

Tamanho do texto

O triângulo equilátero — três lados e três ângulos idênticos formando uma única figura fechada — tornou-se símbolo visual recorrente, ainda que necessariamente limitado, da doutrina trinitária: três Pessoas realmente distintas (Pai, Filho e Espírito Santo) e, ao mesmo tempo, um único e mesmo Deus, sem subordinação de uma Pessoa às outras. Por sua própria geometria, expressa a igualdade das Pessoas e a unidade da essência divina, e por isso aparece em retábulos, vitrais, frontões e forros de igrejas dedicadas à Santíssima Trindade. Trata-se, como toda imagem aplicada ao mistério, de uma analogia imperfeita: nenhuma figura pode exaurir a vida íntima de Deus.

A forma mais elaborada desse símbolo é o chamado Escudo da Trindade ou Scutum Fidei ("escudo da fé", expressão tomada de Ef 6,16 na Vulgata). É um diagrama de quatro nós circulares interligados por seis vínculos: os três nós externos trazem os nomes das Pessoas (PATER, FILIUS, SPIRITUS SANCTUS) e o nó central, Deus ou DEUS; as linhas afirmam "é" (est) entre cada Pessoa e Deus, e "não é" (non est) entre as Pessoas entre si — "o Pai não é o Filho", "o Filho não é o Espírito Santo", "o Espírito Santo não é o Pai". O conjunto resume, em doze proposições, a primeira parte do Credo Atanasiano ("O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; e, contudo, não são três Deuses, mas um só Deus").

O diagrama é atestado desde um manuscrito de c. 1208–1216 do Compendium Historiae in Genealogia Christi, de Pedro de Poitiers, e foi popularizado na Summa de Vitiis (c. 1250) do dominicano Guilherme Peraldo, ligado à instrução moral. Seu uso difundiu-se amplamente nos séculos XV e XVI, em manuscritos e livros ingleses e franceses (como o Missal de Sherborne), em vitrais e entalhes de igrejas (muitas na região de East Anglia) e na heráldica: no Wernigerode Armorial (Sul da Alemanha, c. 1486–1492) o Scutum Fidei figura como o "brasão de armas de Deus", com elmo, coroa e a pomba do Espírito Santo no timbre. O nome "Shield of the Trinity", hoje o mais comum, só passou a ser usado regularmente no século XX; na Idade Média prevaleceu Scutum Fidei.

Um símbolo frequentemente associado a este é o Olho da Providência — um olho inscrito em um triângulo ou circundado por raios de glória, representando a onisciência e o cuidado de Deus. Sua origem é renascentista e cristã: um exemplo antigo é a Ceia em Emaús de Jacopo Pontormo (1525), na qual o olho em triângulo foi acrescentado, ao que se supõe, para substituir um símbolo trifacial da Trindade que a Contrarreforma havia proibido; o motivo aparece também na Iconologia de Cesare Ripa (1593). Só no século XVIII, cerca de dois séculos depois, o Olho da Providência foi apropriado pela Maçonaria como emblema do "Grande Arquiteto do Universo". Convém, portanto, distinguir com cuidado: o triângulo trinitário e o Scutum Fidei são símbolos doutrinais cristãos medievais, e o Olho da Providência é uma imagem cristã renascentista que só tardiamente recebeu usos profanos.

Temas relacionados

Cada tema abre a busca por ele em todas as categorias do acervo.

Fontes

  • Wikipédia (en), verbete "Shield of the Trinity (Scutum Fidei)": descrição dos quatro nós e doze vínculos; manuscrito de Pedro de Poitiers (c. 1208–1216); Pedro de Poitiers e Guilherme Peraldo; origem do nome no séc. XX; Wernigerode Armorial (c. 1486–1492) como brasão de armas de Deus
  • Symbology.wiki — "Shield of the Trinity": Scutum Fidei e Ef 6,16 no manuscrito de João de Wallingford (c. 1247–1258)
  • Wikipédia (pt), verbete "Olho da Providência", e BBC News Brasil, "A verdadeira origem do triângulo com um olho que aparece nas notas de dólar": origem renascentista cristã; Pontormo, Ceia em Emaús (1525); Iconologia de Cesare Ripa (1593); apropriação maçônica no séc. XVIII
  • Wikipédia (en), verbete "Supper at Emmaus (Pontormo)": o olho em triângulo e o símbolo trifacial proibido pela Contrarreforma
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 232–267 (doutrina trinitária e limites das imagens de Deus)
  • Grafia das doze proposições conforme Gracefiber, "The Trinity Shield Explained" (Pater non est Filius, etc.)

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Arte Sacra