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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Personagens Bíblicos

Elias

Um dos maiores profetas de Israel, que confronta os profetas de Baal no Monte Carmelo e é arrebatado ao céu num carro de fogo.

Elias
Tipo
Profeta
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
1 Reis 17-19; 2 Reis 2

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Originário de Tisbe, em Gileade, e apresentado sem qualquer genealogia ou infância narrada — surge abruptamente diante do rei Acabe anunciando uma seca como castigo divino (1Rs 17,1) —, Elias exerce seu ministério no Reino do Norte durante o século IX a.C., no auge do sincretismo religioso promovido por Acabe e sobretudo por sua esposa fenícia Jezabel, que introduzira à força o culto ao deus Baal e perseguira os profetas do Senhor. Antes do grande confronto público, Elias é sustentado milagrosamente junto ao ribeiro de Querite, alimentado por corvos, e depois na casa de uma viúva de Sarepta, cuja farinha e azeite não se esgotam durante toda a seca, e cujo filho ele ressuscita (1Rs 17).

O episódio central de sua vida é o confronto no Monte Carmelo: diante de todo o povo de Israel reunido, Elias desafia os 450 profetas de Baal a um teste decisivo — dois altares preparados, cada um clamando ao seu deus para que fizesse descer fogo sobre o sacrifício. Depois de os profetas de Baal gritarem e se ferirem em vão o dia todo, Elias, sozinho, reconstrói o altar do Senhor, encharca-o de água três vezes e ora brevemente; o fogo do céu consome imediatamente a oferta, a lenha, as pedras e até a água ao redor, levando o povo a prostrar-se clamando «o Senhor é Deus!» — e os profetas de Baal são então executados junto ao ribeiro de Quisom (1Rs 18,20-40). Segue-se de imediato o fim sobrenatural da seca, com Elias correndo à frente da carruagem real até Jezreel.

Apesar dessa vitória retumbante, Elias cai em profundo desânimo diante da ameaça de morte proferida por Jezabel, foge para o deserto e chega a pedir a Deus a própria morte antes de ser fortalecido por um anjo e caminhar quarenta dias e quarenta noites até o Monte Horeb (o Sinai), onde repete a experiência de Moisés: não no vento forte, no terremoto ou no fogo, mas num «murmúrio de brisa suave» ele reconhece a presença de Deus (1Rs 19,11-13), que o reenvia à missão e lhe designa Eliseu como sucessor e discípulo. Outro episódio marcante é sua denúncia corajosa do rei Acabe pelo assassinato indireto de Nabot, dono de uma vinha cobiçada pelo rei, anunciando a queda de toda a dinastia (1Rs 21).

Ao final de sua vida terrena, Elias é arrebatado vivo aos céus num redemoinho, num carro e cavalos de fogo, diante de Eliseu, sem experimentar a morte (2Rs 2,1-12) — único caso bíblico comparável apenas ao de Enoque (Gn 5,24). Por não ter morrido, a tradição judaica desenvolveu a expectativa de seu retorno antes da vinda do Messias, baseada em Malaquias 3,23-24 («eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e temível Dia do Senhor»); daí o costume judaico de reservar um lugar para Elias na mesa da Páscoa. Os Evangelhos retomam essa expectativa identificando João Batista como quem viria «com o espírito e o poder de Elias» (Lc 1,17; Mt 11,14), e Elias aparece pessoalmente, ao lado de Moisés, na Transfiguração de Jesus no Monte Tabor, conversando com ele sobre sua partida iminente em Jerusalém (Mt 17,1-8) — cena em que a Lei (Moisés) e os Profetas (Elias) reconhecem em Cristo seu cumprimento.

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