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Personagens Bíblicos

Saul

Primeiro rei de Israel, cuja desobediência e ciúme de Davi marcam seu reinado e sua queda trágica.

Saul
Tipo
Rei
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
1 Samuel 9-31

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Filho de Quis, da tribo de Benjamim, descrito como jovem de estatura notável — «da espádua para cima, sobressaía a todo o povo» (1Sm 9,2) —, Saul é ungido em segredo pelo profeta e último juiz Samuel, atendendo à exigência do povo de Israel por um rei «como todas as nações», pedido que o próprio Samuel interpreta como rejeição não a ele, mas ao próprio Deus como rei direto de Israel (1Sm 8,4-9). A unção pública ocorre pouco depois, por sorteio diante de todo o povo reunido em Mispá, e Saul, apesar da estatura, é encontrado escondido entre a bagagem por timidez (1Sm 10,20-24) — detalhe que os comentadores leem como sinal precoce da fragilidade interior que marcaria todo o seu reinado.

Seus primeiros anos como rei são de sucesso militar, sobretudo na libertação da cidade de Jabes-Gileade do cerco amonita, vitória que consolida seu reconhecimento popular (1Sm 11). A ruptura com Deus, contudo, vem por duas desobediências decisivas: oferece pessoalmente um sacrifício antes de uma batalha, usurpando função reservada ao sacerdote, por impaciência em esperar Samuel (1Sm 13,8-14); e, na guerra contra os amalecitas, poupa o rei Agague e o melhor do gado, contrariando a ordem explícita de extermínio total, e depois tenta justificar-se alegando querer sacrificar os animais a Deus — resposta a que Samuel responde com a sentença que se tornaria clássica: «obedecer vale mais que sacrifício» (1Sm 15,22). Por essas faltas, Samuel anuncia que o reino lhe seria tirado e dado «a um seu próximo, melhor do que ele» — antecipação da unção secreta de Davi que se segue no capítulo seguinte.

A partir de então, o texto bíblico descreve Saul como atormentado por um «espírito mau da parte do Senhor» (1Sm 16,14), aliviado apenas quando o jovem Davi tocava harpa para ele — o mesmo Davi cuja crescente popularidade militar e popular, após a vitória sobre Golias, desperta no rei um ciúme obsessivo que o leva a tentar matá-lo pessoalmente com uma lança e depois a persegui-lo por anos pelo deserto, apesar de Davi, por duas vezes, poupar deliberadamente sua vida (1Sm 18-26). Nos capítulos finais, isolado e à véspera de uma batalha decisiva contra os filisteus, um Saul desesperado e já abandonado por Deus busca, disfarçado, a médium de En-Dor para invocar o espírito de Samuel, já morto — episódio ambíguo que recebe apenas o anúncio de sua derrota e morte iminentes (1Sm 28). No dia seguinte, ferido em combate no Monte Gilboa e vendo seus filhos, entre eles Jônatas, mortos ao seu lado, Saul se lança sobre a própria espada para não cair vivo nas mãos dos filisteus (1Sm 31). Davi, ao saber da notícia, não celebra, mas compõe uma das mais belas elegias do Antigo Testamento em honra de Saul e Jônatas (2Sm 1,17-27) — gesto que a tradição lê como sinal do respeito devido, apesar de tudo, «ao ungido do Senhor».

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