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Personagens Bíblicos

Salomão

Filho e sucessor de Davi, rei célebre por sua sabedoria, construtor do primeiro Templo de Jerusalém.

Salomão
Foto: Foster, William A. [from old catalog] — Wikimedia Commons, No restrictions
Tipo
Rei
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
1 Reis 1-11

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Segundo filho de Davi com Betsabé, Salomão chega ao trono em meio a uma disputa sucessória contra o irmão mais velho Adonias, resolvida a favor dele graças à intervenção da mãe e do profeta Natã (1Rs 1). Logo no início do reinado, numa visita noturna ao santuário de Gibeão, recebe de Deus, em sonho, a oferta de pedir o que quisesse; em vez de riqueza, longa vida ou vitória sobre inimigos, Salomão pede «um coração que saiba escutar, para julgar o teu povo e discernir entre o bem e o mal» — pedido que agrada tanto a Deus que este lhe concede, além da sabedoria, também riqueza e glória sem igual entre os reis (1Rs 3,5-14). A prova mais célebre desse discernimento é o «Julgamento de Salomão», em que ele desmascara a verdadeira mãe de uma criança disputada por duas mulheres propondo dividir o bebê ao meio, certo de que só a mãe genuína recuaria para salvar a vida do filho (1Rs 3,16-28).

Seu reinado de quarenta anos, no século X a.C., é lembrado como o auge político e econômico do Reino Unido de Israel: organiza a administração em doze distritos fiscais, desenvolve o comércio internacional — inclusive a célebre visita da rainha de Sabá, atraída pela fama de sua sabedoria e maravilhada com sua corte (1Rs 10,1-13) — e empreende a maior obra arquitetônica de toda a história de Israel, o primeiro Templo de Jerusalém, erguido com a ajuda de artesãos e material fornecidos pelo rei Hirão de Tiro e consagrado com uma extensa oração de dedicação (1Rs 5-8). A tradição atribui a Salomão também a autoria de milhares de provérbios e cânticos (1Rs 4,32), refletida nos livros bíblicos de Provérbios, Eclesiastes (Qohélet) e Cântico dos Cânticos, embora a exegese histórico-crítica moderna considere que boa parte desses textos foi composta ou compilada em épocas posteriores, sob o patrocínio simbólico de seu nome como padroeiro da tradição sapiencial de Israel.

O texto bíblico, porém, não esconde a queda progressiva do rei: mantendo, segundo o relato, setecentas esposas e trezentas concubinas por alianças políticas, Salomão «no tempo da velhice» se deixa arrastar por suas mulheres estrangeiras a erguer altares para divindades como Astarte, Milcom e Camos, provocando a ira divina (1Rs 11,1-13). Como castigo, é anunciado que o reino se dividiria após sua morte — o que de fato ocorre sob seu filho Roboão, dando origem aos reinos separados de Judá e Israel. Apesar dessa queda, a figura de Salomão permaneceu na memória bíblica e na tradição posterior como arquétipo máximo da sabedoria concedida por Deus, e Jesus o cita nos Evangelhos ao afirmar que «algo maior do que Salomão está aqui» (Mt 12,42), reconhecendo sua fama, mas apontando para algo — e Alguém — ainda maior.

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