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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Personagens Bíblicos

Davi

Segundo rei de Israel, autor tradicional de muitos Salmos, ancestral messiânico de Jesus Cristo.

Davi
Tipo
Rei
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
1 e 2 Samuel

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Caçula entre os filhos de Jessé, de Belém, na tribo de Judá, Davi é escolhido e ungido em segredo pelo profeta Samuel — que, contrariando a expectativa humana pela aparência dos irmãos mais velhos, é advertido por Deus: «o Senhor não olha o que o homem olha [...]; o Senhor olha o coração» (1Sm 16,7). Ainda jovem pastor de ovelhas, torna-se célebre ao aceitar o desafio do gigante filisteu Golias, que por quarenta dias escarnecia do exército israelita, e o derruba com uma pedra de estilingue, decapitando-o em seguida com a própria espada do gigante (1Sm 17) — episódio que se tornaria símbolo universal da vitória da fé e da coragem sobre a força bruta.

Sua amizade com Jônatas, filho do rei Saul, e o crescente favor popular despertam o ciúme obsessivo de Saul, que passa a persegui-lo por anos; Davi vive como fugitivo, chegando por duas vezes a poupar deliberadamente a vida do rei quando o tem à mercê, recusando-se a «estender a mão contra o ungido do Senhor» (1Sm 24; 26). Após as mortes de Saul e Jônatas em combate contra os filisteus no Monte Gilboa — que Davi lamenta em uma das elegias mais comovidas do Antigo Testamento (2Sm 1,19-27) —, é aclamado rei, primeiro sobre Judá e, sete anos depois, sobre todo Israel unificado. Conquista Jerusalém dos jebuseus e a torna capital política e religiosa do reino, trazendo para lá a Arca da Aliança em procissão festiva (2Sm 5-6).

É nesse contexto que o profeta Natã lhe transmite a promessa que a tradição chamaria «Aliança Davídica»: Deus recusa que Davi construa o Templo, reservando essa tarefa a seu filho, mas promete estabelecer para sempre a casa e o trono de sua descendência (2Sm 7,12-16) — fundamento de toda a esperança messiânica posterior de Israel, que esperaria um «filho de Davi» que reinaria eternamente. A fragilidade humana do rei, porém, aparece com crueza no episódio com Betsabé, esposa de seu oficial Urias, o hitita: Davi comete adultério com ela e, para encobrir a gravidez resultante, manda colocar Urias na linha de frente da batalha, garantindo sua morte (2Sm 11). Confrontado por Natã com a parábola da ovelha do pobre, Davi reconhece publicamente o pecado — «pequei contra o Senhor» —, arrependimento que a tradição associa ao Salmo 51 (Miserere), um dos textos penitenciais mais influentes de toda a espiritualidade judaico-cristã.

Os últimos anos de seu reinado são marcados por tragédias domésticas — o estupro de Tamar por Amnon, a vingança e revolta de Absalão, que quase lhe custam o trono — antes de assegurar a sucessão de Salomão, filho de Betsabé, com a ajuda decisiva desta e do profeta Natã (1Rs 1). A tradição atribui a Davi a autoria de boa parte do Saltério — os «Salmos de Davi» —, e Atos dos Apóstolos o chama explicitamente de profeta (At 2,29-31), reconhecendo em seus escritos antecipações messiânicas (Sl 2; 16; 22; 110). Os quatro Evangelhos traçam deliberadamente a genealogia de Jesus até Davi, chamando-o repetidas vezes de «Filho de Davi» (Mt 1,1; 21,9), e a tradição cristã, desde os Padres, lê em toda a vida de Davi — pastor, ungido, guerreiro, rei e pecador perdoado — uma figura antecipada do próprio Cristo, o verdadeiro rei messiânico da linhagem davídica.

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