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Bíblia

1 Samuel

O profeta Samuel, a perda e o retorno da Arca, a instituição da monarquia em Israel e a ascensão de Davi diante da queda de Saul.

1 Samuel
Testamento
Antigo Testamento
Gênero literário
Narrativa histórica
Autor tradicional
Tradição deuteronomista
Composição
séculos VII-VI a.C. (forma final)

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Na Bíblia hebraica, Samuel é um único livro; as traduções modernas o dividem em 1 e 2 Samuel, e na Vulgata latina e na Septuaginta grega os dois integram o conjunto dos "Reinos" (1–4 Reis). O livro pertence à história deuteronomista, a série Josué, Juízes, Samuel e Reis que constitui uma história teológica de Israel sob a orientação dos profetas e interpreta os acontecimentos à luz da fidelidade à Lei. Em 1943, Martin Noth agrupou essa obra como um conjunto com unidade própria, tese hoje amplamente aceita em suas linhas gerais, ainda que debatida em detalhes.

A narrativa pode ser lida em blocos: primeiro a infância e a vocação de Samuel, precedidas pela história de sua mãe, Ana, que era estéril e o consagrou ao Senhor em Silo, onde servia o sacerdote Eli (1Sm 1–3); em seguida, a narrativa da Arca da Aliança, capturada pelos filisteus em Ebenézer e em Afec, com a morte dos filhos de Eli, Hofni e Fineias, e o posterior retorno da Arca (1Sm 4,1b–7,1); depois, o ciclo da instituição da monarquia, com o pedido do povo por um rei, a unção e a rejeição de Saul (1Sm 8–15); e, por fim, a história da ascensão de Davi, desde a unção secreta por Samuel e o duelo com o filisteu Golias até a perseguição movida por Saul, culminando na morte deste (1Sm 16–31). Boa parte dos estudiosos reconhece nesses blocos fontes literárias pré-existentes, posteriormente reunidas e editadas pela redação deuteronomista. Em 2 Samuel, o relato prossegue com o reinado de Davi e a chamada "história da sucessão" (2Sm 9–20 e 1Rs 1–2), muitas vezes considerada uma das mais antigas e vivas narrativas da Bíblia.

A historicidade dos acontecimentos é objeto de debate. Há consenso de que os livros de Samuel misturam material histórico e lendário e que contêm anacronismos incompatíveis com uma composição no século XI a.C. A figura de Davi, porém, ganhou respaldo extra-bíblico decisivo: em 1993, uma equipe dirigida pelo arqueólogo israelense Avraham Biran descobriu em Tel Dan, no norte de Israel, fragmentos de uma estela em aramaico antigo que menciona a "Casa de Davi" (bytdwd), o mais antigo testemunho externo à Bíblia da dinastia davídica, hoje datado do século IX a.C. e exposto no Museu de Israel. Uma minoria de estudiosos contestou a leitura, mas a estela é geralmente aceita como genuína. Já o relato do combate entre Davi e Golias permanece sem confirmação arqueológica e é amplamente tratado como narrativa de finalidade teológica e literária.

O livro contém ainda episódios que moldaram a tradição posterior, como o cântico de Ana (1Sm 2,1-10), cujo tema do poder de Deus que eleva os humildes ressoa no Magnificat de Maria (Lc 1,46-55), e o confronto entre Samuel e Saul, no qual o profeta declara que "obedecer é melhor do que sacrificar" (1Sm 15,22). A tensão entre poder real e autoridade profética, que percorre todo o livro e enquadra a monarquia israelita sob o juízo de Deus, é uma das contribuições teológicas mais duradouras da obra.

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Fontes

  • Bíblia de Jerusalém, Primeiro Livro de Samuel (introdução e notas)
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 101-108 (inspiração e verdade da Sagrada Escritura)
  • Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Dei Verbum, nn. 11-15
  • Martin Noth, Überlieferungsgeschichtliche Studien (1943), sobre a história deuteronomista
  • Inscrição de Tel Dan, século IX a.C., Museu de Israel (referência extra-bíblica à 'Casa de Davi')

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