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Personagens Bíblicos

Moisés

O maior líder e legislador do Antigo Testamento, que liberta Israel da escravidão no Egito e recebe a Lei no Sinai.

Moisés
Tipo
Profeta
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
Livro do Êxodo

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Nascido numa família levita em tempos em que o faraó ordenara matar todo menino hebreu recém-nascido, Moisés é salvo ainda bebê por sua mãe, que o coloca num cesto de junco sobre as águas do Nilo; recolhido pela própria filha do faraó, é criado na corte egípcia, mas amamentado, por arranjo providencial, pela própria mãe (Ex 2,1-10). Já adulto, mata um capataz egípcio que espancava um hebreu e foge para Madiã, onde se casa com Zípora, filha do sacerdote Jetro, e vive como pastor até o episódio decisivo de sua vida: a visão da sarça que arde sem se consumir, no Monte Horeb, onde Deus lhe revela o nome próprio «Eu Sou o que Sou» (YHWH) e o envia de volta ao Egito para libertar os hebreus escravizados (Ex 3).

Diante da recusa do faraó, Deus envia por meio de Moisés e de seu irmão Arão as dez pragas — do sangue do Nilo à morte dos primogênitos —, que culminam na instituição da Páscoa judaica, celebrada na última noite antes da saída, quando o sangue do cordeiro nas ombreiras das portas preserva os hebreus do «anjo exterminador» (Ex 12). Segue-se o Êxodo propriamente dito: a travessia do Mar dos Juncos (tradicionalmente «Mar Vermelho»), com as águas que se abrem e depois engolem o exército egípcio em perseguição, celebrada no antigo «Cântico do Mar» (Ex 15), um dos textos poéticos mais arcaicos da Bíblia hebraica.

No deserto, ao longo de quarenta anos de peregrinação, Moisés exerce papel de legislador, juiz e intercessor: sobe ao Monte Sinai e recebe de Deus as tábuas da Lei com os Dez Mandamentos (Ex 20; Dt 5), além de um extenso corpo de preceitos rituais, morais e sociais que organizariam toda a vida religiosa e civil de Israel — o núcleo do que a tradição chamaria «Lei de Moisés» ou Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia, cuja autoria mosaica direta é hoje relativizada pela exegese histórico-crítica, que reconhece nela camadas redacionais posteriores, sem negar a Moisés o papel fundador de mediador da aliança. Intercede repetidamente por um povo rebelde — mais notoriamente após o episódio do bezerro de ouro, quando quebra as tábuas em ira e depois as reesculpe — e enfrenta murmurações constantes por fome, sede e medo dos habitantes de Canaã.

Sua própria falta — golpear a rocha em Meriba em vez de apenas falar a ela, num gesto de desconfiança diante da ordem divina (Nm 20,1-13) — lhe custa o direito de entrar na terra prometida. Aos 120 anos, do alto do Monte Nebo, contempla Canaã à distância antes de morrer, sepultado por Deus mesmo «em lugar que ninguém conhece até hoje» (Dt 34,1-6). É reverenciado como o maior profeta do Antigo Testamento — «não se levantou mais em Israel profeta como Moisés, a quem o Senhor conhecia face a face» (Dt 34,10) — e aparece ao lado de Elias na Transfiguração de Jesus (Mt 17,1-8), episódio lido como reconhecimento de que Cristo cumpre e supera tanto a Lei (representada por Moisés) quanto os Profetas (representados por Elias). A tradição cristã viu ainda em Moisés um «tipo» de Cristo como legislador e libertador, e em episódios como a serpente de bronze levantada no deserto (Nm 21,4-9) uma prefiguração explícita da cruz, conforme o próprio Jesus afirma em João 3,14.

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