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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Personagens Bíblicos

Arão

Irmão de Moisés e primeiro sumo sacerdote de Israel, fundador da linhagem sacerdotal levítica.

Arão
Tipo
Outra figura bíblica
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
Êxodo 4; 32

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Filho de Anrão e Joquebede, da tribo de Levi, e irmão mais velho de Moisés e de Miriã, Arão é designado por Deus para acompanhar Moisés diante do faraó justamente por sua fluência de fala, suprindo a dificuldade que o próprio Moisés alega ter («eu sou de fala pesada e língua tarda», Ex 4,10) — por isso o texto o chama de «boca» de Moisés (Ex 4,16). É ele quem empunha o cajado que se transforma em serpente diante da corte egípcia e que desencadeia várias das dez pragas, atuando lado a lado com o irmão ao longo de todo o confronto com o faraó e da saída do Egito.

No Sinai, Arão e seus filhos são consagrados por Moisés, mediante um rito elaborado de unção, sacrifícios e vestes litúrgicas específicas (Ex 28-29; Lv 8), como os primeiros sacerdotes de Israel, dando origem à linhagem sacerdotal levítica — o «sacerdócio aarônico» — que exerceria com exclusividade as funções de culto no Templo de Jerusalém por mais de um milênio, até a destruição de 70 d.C. Coube a Arão também a fórmula da bênção sacerdotal que os sacerdotes de Israel pronunciariam sobre o povo: «o Senhor te abençoe e te guarde [...]» (Nm 6,24-26), ainda hoje usada na liturgia judaica e ecoada em bênçãos cristãs.

Sua biografia bíblica não é isenta de faltas graves: enquanto Moisés permanece no monte recebendo a Lei, Arão cede à pressão do povo impaciente e fabrica o bezerro de ouro, proclamando-o diante do altar como o deus que os havia tirado do Egito (Ex 32) — episódio que expõe a fragilidade da liderança aarônica diante da idolatria e que a tradição rabínica posterior tentou, com algum esforço, atenuar. Arão também se associa a Miriã numa contestação da autoridade exclusiva de Moisés, alegando que Deus falava por meio de ambos igualmente (Nm 12), episódio resolvido com a reafirmação divina do lugar único de Moisés como profeta que vê Deus «face a face». Mais tarde, quando a legitimidade do sacerdócio aarônico é desafiada pela revolta de Corá, Datã e Abirão, Deus confirma Arão fazendo florescer milagrosamente sua vara diante das dos demais chefes de tribo, sinal guardado na Arca da Aliança (Nm 17). Como Moisés, também Arão não entra na terra prometida por causa da desobediência em Meriba, morrendo no Monte Hor, onde suas vestes sacerdotais são transferidas ritualmente a seu filho Eleazar antes de sua morte (Nm 20,22-29). A Carta aos Hebreus contrapõe o sacerdócio «segundo a ordem de Arão», limitado e hereditário, ao sacerdócio eterno de Cristo «segundo a ordem de Melquisedeque» (Hb 7,11-17), lendo em Arão uma figura imperfeita e provisória do verdadeiro Sumo Sacerdote.

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