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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Personagens Bíblicos

Eliseu

Discípulo e sucessor de Elias, a quem são atribuídos numerosos milagres de cura e providência.

Eliseu
Tipo
Profeta
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
2 Reis 2-13

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Filho de Safate, um lavrador de Abel-Meolá, Eliseu é chamado por Elias que, seguindo ordem divina recebida no Horeb, o encontra arando com doze juntas de bois e lança sobre ele o próprio manto — gesto que sela sua vocação profética. Eliseu sacrifica de imediato os bois e queima o arado como lenha para o banquete de despedida, rompendo definitivamente com a vida anterior para «seguir Elias e servi-lo» (1Rs 19,19-21). Por anos, atua como discípulo e assistente do mestre, até o momento em que este é arrebatado ao céu: pedindo uma «porção dobrada» do espírito profético de Elias — linguagem que evoca o direito de herança do filho primogênito —, Eliseu vê o mestre partir num carro de fogo e recolhe o manto que cai, com o qual, golpeando as águas do Jordão exatamente como Elias fizera, comprova ter recebido a sucessão (2Rs 2,1-15).

Seu ministério, que se estende por cerca de sessenta anos sob vários reis do Reino do Norte, é caracterizado por um número de milagres superior ao de qualquer outro profeta bíblico, muitos deles voltados a necessidades cotidianas e domésticas: purifica as águas nocivas de Jericó lançando sal numa fonte (2Rs 2,19-22); multiplica o pouco azeite de uma viúva endividada, permitindo-lhe pagar as dívidas e sustentar os filhos (2Rs 4,1-7); é hospedado regularmente por uma mulher rica de Suném, para quem obtém, apesar da idade avançada do marido, o nascimento de um filho — que mais tarde morre subitamente e é por ele ressuscitado, deitando-se sobre o corpo da criança até que esta espirra sete vezes e reabre os olhos (2Rs 4,8-37); multiplica vinte pães de cevada para alimentar cem homens, com sobras (2Rs 4,42-44), episódio lido como prefiguração da multiplicação dos pães por Jesus; e faz flutuar um machado de ferro emprestado que caíra no rio Jordão, lançando um pedaço de madeira na água (2Rs 6,1-7).

O milagre mais conhecido e teologicamente carregado é a cura do general sírio Naamã, leproso e comandante de um exército inimigo de Israel, a quem Eliseu, sem sequer recebê-lo pessoalmente, manda lavar-se sete vezes no Jordão — ordem que Naamã só obedece após vencer o orgulho ferido, sendo purificado e reconhecendo publicamente que «não há Deus em toda a terra, senão em Israel» (2Rs 5). Eliseu recusa qualquer recompensa pela cura, mas seu próprio servo Geazi, cobiçoso, mente para obter presentes de Naamã às escondidas e é castigado com a lepra que este havia deixado (2Rs 5,20-27). Eliseu também tem papel político relevante, ungindo Hazael como rei da Síria e Jeú como rei de Israel (2Rs 8-9), e morre de doença já idoso — mas ainda depois de morto seu poder profético se manifesta: um cadáver lançado apressadamente em seu túmulo revive ao tocar seus ossos (2Rs 13,20-21), episódio final que sela sua reputação como o profeta dos milagres por excelência no Antigo Testamento.

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