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Bíblia

Josué

O livro da conquista e partilha da Terra Prometida sob Josué, sucessor de Moisés, e a renovação da Aliança em Siquém.

Josué
Testamento
Antigo Testamento
Gênero literário
Narrativa histórica
Autor tradicional
Tradição deuteronomista
Composição
século VII-VI a.C. (forma final)

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O Livro de Josué é o primeiro título da chamada "história deuteronomista" (Josué, Juízes, 1–2 Samuel e 1–2 Reis), o grande conjunto que narra a história de Israel desde a entrada em Canaã até o exílio na Babilônia. O texto é emoldurado por dois discursos: no início, Deus ordena a conquista da terra e exorta Josué a observar fielmente a Lei revelada a Moisés (Js 1); no fim, Josué adverte o povo a permanecer fiel à Aliança (Js 23–24). A obra narra a travessia do Jordão (Js 3–4), a queda de Jericó (Js 6), a campanha do sul com o episódio solar de Gabaon (Js 10), a partilha do território entre as doze tribos (Js 13–21) e, no clímax, a assembleia de Siquém, onde Josué convoca o povo à decisão: "Escolhei hoje a quem sirvais" (Js 24,15).

A tradição rabínica atribuía o livro ao próprio Josué, mas essa posição foi rejeitada já por João Calvino e, depois, por Thomas Hobbes. Atualmente quase todos os estudiosos veem a obra como o produto de múltiplos autores e editores, muito distantes no tempo dos acontecimentos descritos. Em 1943, o biblista alemão Martin Noth propôs que a história deuteronomista teria sido composta por um único autor (ou editor) no período do exílio; hoje se reconhece um processo mais complexo. As partes mais antigas costumam ser situadas nos capítulos 2 a 11 (a tradição da conquista), incorporadas a uma primeira redação no reinado de Josias (r. 640–609 a.C.) e completadas depois da queda de Jerusalém em 586 a.C., possivelmente só após o retorno do exílio em 539 a.C. A intenção teológica central dos redatores era afirmar o Senhor como o único e poderoso Deus de Israel, que combate por seu povo e exige fidelidade exclusiva à Aliança.

Se a leitura crente recebe o livro como Palavra de Deus, o exame histórico e arqueológico de seus relatos permanece objeto de intenso debate. A maioria dos estudiosos considera que a narrativa da conquista tem pouco valor para a reconstrução dos primórdios de Israel e reflete, em boa parte, circunstâncias muito posteriores. O caso de Jericó é o mais discutido: as escavações conduzidas por John Garstang nos anos 1930 e, mais tarde, por Kathleen Kenyon mostraram que a cidade antiga já estava destruída e desocupada no período em que a cronologia bíblica costuma situar a conquista, o que enfraquece a hipótese de uma tomada militar direta. Não faltam, porém, autores que propõem cronologias alternativas (por exemplo, uma destruição em torno de 1400 a.C.) para reabilitar a historicidade do relato, de modo que a questão segue aberta.

Entre os episódios mais marcantes está o da batalha de Gabaon (Js 10). Os gabaonitas haviam obtido de Josué, por astúcia, um tratado de paz; atacados por cinco reis amorreus, pedem socorro a Israel, que marcha de noite desde Gilgal. O texto relata que Josué ordenou ao sol que parasse sobre Gabaon e à lua sobre o vale de Aialon (Js 10,12-13), citação que o próprio livro atribui ao "Livro do Justo" (Sefer ha-Yashar), uma coletânea poética israelita hoje perdida e mencionada também em 2 Samuel 1,18. A assembleia de Siquém, por sua vez, ocorre num sítio de grande peso simbólico: entre o monte Ebal e o monte Gerizim, lugar onde Abraão recebera a promessa da terra (Gn 12,6-7) e onde Jacó erguera um altar (Gn 33,18-20). Nesse mesmo contexto se situa a ordem de erguer um altar de pedras bruta no monte Ebal (Js 8,30-32), em cumprimento de Deuteronômio 27. A arqueologia moderna associou a esse passo o altar descoberto por Adam Zertal no monte Ebal, embora a identificação permaneça discutida.

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