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Personagens Bíblicos

Isaías (o profeta)

Um dos maiores profetas de Israel, cuja pregação inclui alguns dos textos messiânicos mais citados pelo cristianismo.

Isaías (o profeta)
Foto: Sailko — Wikimedia Commons, CC BY 3.0
Tipo
Profeta
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
Livro de Isaías

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Filho de Amoz, Isaías inicia seu ministério profético em Jerusalém «no ano em que morreu o rei Ozias» (Is 6,1), por volta de 740 a.C., numa visão de vocação em que contempla o Senhor entroado no Templo, cercado de serafins que clamam «santo, santo, santo», e responde ao chamado divino com as palavras que se tornariam emblemáticas de toda vocação profética: «eis-me aqui, envia-me» (Is 6,8). Sua atividade se estende por cerca de quatro décadas, atravessando os reinados de Acaz e Ezequias, num período de sucessivas crises políticas — a ameaça da coalizão sírio-efraimita, a expansão do Império Assírio sobre o Reino do Norte (que cai em 722 a.C.) e o cerco assírio a Jerusalém sob Senaquerib, do qual a cidade escapa quase milagrosamente (Is 36-37; cf. 2Rs 18-19).

A figura de Isaías combina denúncia profética da injustiça social e da hipocrisia cúltica — «de que me serve a multidão de vossos sacrifícios? [...] lavai-vos, purificai-vos [...] fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva» (Is 1,11-17) — com uma das mais ricas tradições messiânicas de todo o Antigo Testamento. É a ele que se atribuem o oráculo do «Emanuel» («a virgem conceberá e dará à luz um filho», Is 7,14), o anúncio do menino a quem se chamará «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz» (Is 9,5), e a visão de um reino de paz universal em que «o lobo habitará com o cordeiro» (Is 11,6) — textos que o cristianismo, desde os Evangelhos, leu como profecias diretamente cumpridas em Jesus (Mt 1,23; Lc 1,32-33).

A crítica histórico-literária moderna reconhece no livro de Isaías, tal como chegou até nós, ao menos três grandes blocos de composição distinta, ainda que reunidos sob o mesmo nome e numa unidade teológica reconhecida pela tradição: o «Proto-Isaías» (capítulos 1-39), essencialmente ligado ao profeta do século VIII; o «Dêutero-Isaías» ou «Livro da Consolação» (capítulos 40-55), dirigido aos exilados na Babilônia por volta de 540 a.C., de onde vêm os célebres «Cânticos do Servo de Javé» — quatro poemas sobre uma figura misteriosa que sofre e morre pelos pecados alheios, culminando no quarto e mais extenso deles (Is 52,13–53,12), que descreve o Servo «traspassado por causa das nossas transgressões [...] pelas suas chagas fomos curados»; e o «Trito-Isaías» (capítulos 56-66), do período pós-exílico. O Novo Testamento identifica explicitamente esse Servo Sofredor com Jesus Cristo (At 8,32-35; Mt 8,17; 1Pd 2,24), e por isso Isaías é chamado, desde a Antiguidade cristã, de «quinto evangelista» — tal a densidade de suas profecias messiânicas. É também o profeta mais citado no Novo Testamento depois dos Salmos, e sua figura, segundo tradição judaica tardia não atestada na Bíblia, teria morrido serrado ao meio por ordem do rei Manassés, tradição ecoada em Hebreus 11,37.

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