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Crisma · Tema 2

Os sete dons do Espírito Santo

Sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus: os dons que completam e aperfeiçoam as virtudes, enumerados a partir de Isaías 11.

Os sete dons do Espírito Santo
Tema
2
Parágrafos
CIC 1830-1831

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A tradição da Igreja enumera sete dons do Espírito Santo: sabedoria, entendimento (ou inteligência), conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. A enumeração tem por base a profecia de Isaías 11,1-2, descrição do renovo de Jessé sobre o qual repousa o Espírito do Senhor. O número sete não decorre do texto hebraico original: no Texto Massorético figuram seis características (sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência e temor do Senhor), com o temor do Senhor mencionado duas vezes. A tradução grega dos Setenta verteu a primeira ocorrência do temor (a raiz hebraica yir'at) também como piedade (εὐσεβείας), e sobre ela se apoiou a Vulgata de São Jerônimo, que fixou o versículo: «Spiritus sapientiae et intellectus, spiritus consilii et fortitudinis, spiritus scientiae et pietatis, et replebit eum spiritus timoris Domini» (Is 11,2-3). Santo Ambrósio e Santo Agostinho viam no número sete o sinal de plenitude, e não de um cômputo aritmético: todos os dons desejáveis habitam no Messias.

Foi Santo Tomás de Aquino quem deu à lista sua forma escolástica definitiva, no tratado dos dons da Primeira Secção da Segunda Parte da Suma Teológica (I-II, q. 68). Ali distingue os dons das virtudes — os dons são hábitos pelos quais o homem se torna dócil ao impulso do Espírito Santo, acima do que a razão por si só alcançaria — e sustenta, no artigo 4, que são convenientemente enumerados em sete, e, no artigo 7, que sua dignidade se funda na enumeração de Isaías 11. Assim os dons foram associados às virtudes e às bem-aventuranças (a sabedoria aos pacíficos, o entendimento aos que choram, o conselho aos misericordiosos, a fortaleza aos que têm fome de justiça, a ciência aos que sofrem perseguição, a piedade aos mansos, o temor aos pobres de espírito).

O Catecismo da Igreja Católica recolhe essa tradição nos nn. 1830-1831: os dons «completam e levam à perfeição as virtudes de quem os recebe» e «tornam os fiéis dóceis, na obediência pronta, às inspirações divinas». Cita a esse propósito o Salmo 143 («Que o vosso espírito de bondade me conduza pelo caminho recto») e a Carta aos Romanos («Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus... herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo», Rm 8,14.17). O CIC recorda ainda que os dons «pertencem em plenitude a Cristo, filho de David» — isto é, são primeiramente do Messias e, por participação, dos batizados.

Não são, portanto, poderes extraordinários nem talentos naturais, mas disposições estáveis infundidas com a graça santificante, aprofundadas no Batismo e especialmente fortalecidas na Confirmação. Na catequese de Crisma, os dons são apresentados junto à vida de oração e aos sacramentos, meio ordinário pelo qual a graça é alimentada.

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