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Crisma · Tema 3

Os frutos do Espírito Santo

Os doze frutos que a tradição enumera a partir de Gálatas 5,22-23 segundo a Vulgata, como sinais da ação do Espírito na vida cristã.

Os frutos do Espírito Santo
Foto: Andreas F. Borchert (2012) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Tema
3
Parágrafos
CIC 1832

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Os frutos do Espírito Santo são, segundo o Catecismo (n. 1832), «perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna». A tradição da Igreja enumera doze: caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade — lista que o CIC apresenta como a de Gl 5,22-23 «segundo a Vulgata».

A diferença de número em relação ao texto grego é notável e costuma passar despercebida. Na Carta aos Gálatas, São Paulo opõe as «obras da carne» (fornicação, impureza, idolatria, inimizades, ciúmes, iras, divisões, invejas, embriaguezes e coisas semelhantes) ao «fruto do Espírito». O texto grego enumera nove: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança. A Vulgata de São Jerônimo, ao traduzir, desdobrou alguns termos, chegando aos doze que a tradição latina consagrou. É por isso que biblistas e confissões que seguem o cotejo grego contam nove frutos, enquanto o catecismo católico e numerosos catecismos tradicionais (o Catecismo de Baltimore, por exemplo) mantêm os doze.

Santo Tomás de Aquino dedicou aos frutos a Questão 70 da Primeira Secção da Segunda Parte da Suma Teológica. Explica que «fruto» tem dois sentidos: aquilo que o ser humano produz e aquilo que ele saboreia, ou seja, o termo designa ao mesmo tempo a obra boa e a alegria que dela decorre. Compara os frutos às bem-aventuranças: estas apontam para a perfeição dos santos, enquanto os frutos são mais quotidianos e acessíveis a quem, mesmo em meio às lutas, se deixa conduzir pela graça. Organiza-os pedagogicamente conforme sua ordem ao próximo e a si mesmo.

Enquanto os dons dispõem a pessoa à ação do Espírito, os frutos são o efeito visível dessa ação na conduta: são o critério concreto para verificar se a vida cristã está crescendo. Por isso a preparação para a Confirmação não termina no dia da celebração: ela desemboca na vida sacramental, na oração e na caridade praticada, onde esses frutos amadurecem.

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Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica, n. 1832
  • Gl 5,22-23 (texto grego e Vulgata)
  • Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q. 70
  • Vitral «Fruit of the Spirit», Catedral de Cristo (Dublin), foto de Andreas F. Borchert, 2012

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