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Crisma · Tema 1

O sacramento da Confirmação

O que é a Crisma: sacramento da iniciação cristã que confere o dom do Espírito Santo e imprime caráter indelével.

O sacramento da Confirmação
Tema
1
Parágrafos
CIC 1285-1321

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A Confirmação é, com o Batismo e a Eucaristia, um dos três sacramentos da iniciação cristã. O Catecismo ensina que ela é necessária para a plenitude da graça batismal: os confirmados são enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e mais perfeitamente vinculados à Igreja, para darem testemunho de Cristo.

A origem do sacramento está na imposição das mãos dos Apóstolos. Depois de Pentecostes, Pedro e João foram enviados a Samaria para impor as mãos sobre os batizados, que assim recebiam o Espírito Santo (At 8,14-17), e Paulo fez o mesmo em Éfeso (At 19,6). O CIC (n. 1288) chama a imposição das mãos de «origem do sacramento da Confirmação, que de certo modo perpetua na Igreja a graça de Pentecostes». Muito cedo, para significar melhor o dom do Espírito, acrescentou-se à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado, o crisma — termo que remete a Cristo, «aquele que Deus ungiu com o Espírito Santo» (At 10,38). É daí que o sacramento se chama, no Oriente, crismação ou myron.

Por razões históricas, a unidade primitiva entre Batismo e Confirmação rompeu-se no Ocidente. Como se multiplicavam os batismos de crianças e as paróquias rurais, tornou-se impossível a presença do bispo em cada celebração. Querendo reservar ao bispo a conclusão do Batismo, o Ocidente separou os dois sacramentos no tempo (CIC 1290); o Oriente conservou-os unidos, de modo que a Confirmação é dada pelo próprio presbítero que batiza, mas só com o myron consagrado por um bispo (CIC 1291). Foi essa separação que originou o rito romano atual, no qual, quando a Confirmação é celebrada separadamente do Batismo, a liturgia começa pela renovação das promessas batismais (CIC 1298).

Do ponto de vista ritual, os textos ocidentais só fixaram com clareza a forma da Confirmação nos séculos XII e XIII. O Pontifical Romano do século XII traz pela primeira vez a fórmula que depois se generalizou: «Eu te assinalo com o sinal da cruz e te confirmo com o crisma da salvação. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Vários concílios ecumênicos entraram no debate sobre a matéria e a forma: a Profissão de Fé do imperador Miguel Paleólogo, lida no II Concílio de Lião, refere a Confirmação conferida pelos bispos pela imposição das mãos ao ungirem com o crisma; o Decreto para os Armênios, do Concílio de Florença, define que a matéria do sacramento é o crisma feito de óleo e bálsamo, e lembra que «em lugar daquela imposição da mão, dá-se na Igreja a Confirmação»; e o Concílio de Trento, sem definir o rito essencial, designou-o como «sagrado Crisma da Confirmação». A consagração do crisma, aliás, faz parte de certo modo do próprio sacramento: é o bispo quem o consagra na Missa do Crisma, na manhã da Quinta-feira Santa, para toda a sua diocese (CIC 1297).

O rito essencial, no rito latino, foi reafirmado por Paulo VI na Constituição Apostólica Divinae consortium naturae (15 de agosto de 1971): «o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do santo crisma na testa, feita com a imposição da mão, e por estas palavras: Recebe por este sinal o dom do Espírito Santo». A imposição das mãos sobre os confirmandos, que precede a unção, embora não pertença à essência do sacramento, é tida em grande conta por assegurar a integridade do rito. O ministro originário é o Bispo, sucessor dos Apóstolos e detentor da plenitude do sacramento da Ordem; por isso a administração da Confirmação por ele realça o vínculo dos confirmados com a Igreja e sua origem apostólica. Em determinados casos e conforme as normas da Igreja, o presbítero pode conferi-la. Como o Batismo e a Ordem, a Confirmação imprime na alma um caráter espiritual indelével e, por isso, é recebida uma só vez.

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Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 1288-1291, 1293-1301, 1304-1305, 1320-1321
  • Paulo VI, Constituição Apostólica «Divinae consortium naturae» (15 de agosto de 1971)
  • At 8,14-17; At 10,38; At 19,6
  • Concílio de Florença, Decreto para os Armênios; Concílio de Trento; II Concílio de Lião (Profissão de Fé de Miguel Paleólogo)
  • Nicolas Poussin, «Seven Sacraments - Confirmation I» (c. 1637-1640), Fitzwilliam Museum

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