Sacramentos · 2º sacramento
Confirmação (Crisma)
Sacramento que consuma a graça batismal com uma efusão especial do Espírito Santo, unindo mais firmemente o cristão a Cristo e à Igreja e dando-lhe força para testemunhar a fé.

- Matéria
- Unção com o crisma (óleo perfumado consagrado pelo bispo) na fronte, com a imposição das mãos
- Forma
- «Recebe o sinal do dom do Espírito Santo»
- Ministro
- Ordinário: o bispo. O padre pode administrar em circunstâncias determinadas, como o perigo de morte ou por delegação do bispo.
- Efeitos
- Efusão especial do Espírito Santo, como em Pentecostes; enraíza mais profundamente na filiação divina; une mais firmemente a Cristo e à Igreja; aumenta os dons do Espírito Santo; dá força para confessar a fé; imprime caráter sacramental indelével.
- Parágrafos
- CIC 1285-1321
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A Confirmação, também chamada Crisma (do grego *myron*, "óleo perfumado"), aperfeiçoa a graça batismal: é o sacramento que dá o Espírito Santo, como aconteceu aos apóstolos no dia de Pentecostes, para enraizar mais profundamente na filiação divina, unir mais firmemente a Cristo, aumentar os dons do Espírito e dar força especial para testemunhar a fé cristã. Sua base escriturística é o episódio dos samaritanos: enviados Pedro e João, "oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo... então impunham as mãos sobre eles, e recebiam o Espírito Santo" (At 8,14-17).
A história do rito explica uma diferença ainda hoje visível entre Oriente e Ocidente. Nos primeiros séculos, a Confirmação constituía normalmente uma única celebração com o Batismo, formando com ele, segundo a expressão de São Cipriano, um "sacramento duplo" (CIC 1290). A multiplicação dos batismos de crianças, ministrados em qualquer época do ano, e a multiplicação das paróquias rurais, que alargaram enormemente as dioceses, tornaram impossível a presença do bispo em todas as celebrações batismais. No Ocidente, onde se quis reservar ao bispo o complemento do Batismo, separaram-se no tempo os dois sacramentos; o Oriente conservou-os unidos, de modo que confirma o sacerdote que batiza, mas só pode fazê-lo com o *myron* consagrado por um bispo. Em Roma, um costume antigo — uma dupla unção com o crisma: a do sacerdote ao sair da pia batismal, seguida da do bispo na fronte — facilitou a prática ocidental da separação (CIC 1290-1292).
O ponto de referência doutrinal clássico é o decreto *Exsultate Deo* do Concílio de Florença (22 de novembro de 1439), dirigido aos armênios, que fixa a matéria — o crisma, composto de óleo, que significa o brilho da consciência, e de bálsamo, que significa o bom odor da fama, benzido pelo bispo —, a forma, o ministro ordinário (o bispo) e o efeito: a concessão do Espírito Santo "ad robur" (para a força), como foi dado aos apóstolos em Pentecostes, a fim de que o cristão confesse com coragem o nome de Cristo. Por isso o confirmando é ungido na fronte, "onde está a sede do pudor", para que não se envergonhe de confessar a Cristo. Florença conserva também a menção de que, por dispensação da Sé Apostólica e por causa razoável e urgente, um simples sacerdote pôde administrar o sacramento com crisma consagrado pelo bispo. A questão sacramental da Confirmação foi depois firmada na Idade Média: Pedro Lombardo (†1160), no Livro IV das *Sentenças*, enumerou os sete sacramentos da Nova Lei — Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimônio —, distinção retomada pelo Concílio de Trento.
Diante da Reforma, que reduzia o sacramento a uma simples cerimônia, o Concílio de Trento dedicou à Confirmação três cânones na Sessão VII, celebrada em 3 de março de 1547, sob Paulo III. O cân. 1 declara anátema quem disser que "a confirmação dos batizados é uma cerimônia inútil e não um próprio e verdadeiro sacramento, ou que antigamente ela não era mais que uma espécie de catequese pela qual os que chegavam aos anos da discrição davam conta de sua fé diante da Igreja"; o cân. 2 condena quem afirmasse que atribuir alguma virtude ao santo crisma injuria o Espírito Santo; e o cân. 3 declara anátema quem disser que "o ministro ordinário da sagrada confirmação não é somente o bispo, mas qualquer simples sacerdote". A mesma sessão definiu, nos cânones gerais, que os sete sacramentos foram todos instituídos por Cristo e que os da Nova Lei conferem a graça *ex opere operato*.
No rito romano atual, reformado pelo *Ordo Confirmationis* promulgado em 15 de agosto de 1971, o bispo estende as mãos sobre o grupo dos confirmandos e invoca a efusão do Espírito, pedindo os sete dons; segue-se o rito essencial: a unção do santo crisma na fronte, com a imposição da mão, e as palavras "Accipe signaculum doni Spiritus Sancti — Recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus" (no rito bizantino, unge-se também outros órgãos dos sentidos, com a fórmula "Signaculum doni Spiritus Sancti") (CIC 1320). Quanto à idade, o Código de Direito Canônico de 1983 determina (cân. 891) que o sacramento seja conferido "cerca da idade da discrição", salvo se a Conferência dos Bispos houver estabelecido outra idade, ou haja perigo de morte ou causa grave a juízo do ministro; no Brasil, a norma geral fixou a idade de doze anos, e em Portugal a Conferência Episcopal determinou ordinariamente os catorze anos. Quando celebrada separadamente do Batismo, começa pela renovação das promessas batismais, e sua celebração dentro da Eucaristia sublinha a unidade dos sacramentos da iniciação cristã (CIC 1321). A Confirmação, como o Batismo, dá-se uma só vez, pois imprime caráter indelével — sinal de que Cristo marcou o cristão com o selo de seu Espírito.
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