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Personagens Bíblicos

Jeremias (o profeta)

Profeta que anuncia, com grande sofrimento pessoal, a destruição de Jerusalém e a esperança de uma "nova aliança".

Jeremias (o profeta)
Tipo
Profeta
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
Livro de Jeremias

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Filho do sacerdote Hilquias, de Anatote, perto de Jerusalém, Jeremias é chamado por Deus ainda jovem — «antes de te formar no ventre, eu te conheci [...] profeta às nações te constituí» (Jr 1,5) — e reage com a mesma relutância de outros profetas bíblicos, alegando não saber falar por ser «apenas um jovem»; Deus responde tocando-lhe a boca e assegurando-lhe: «não temas diante deles, pois estou contigo para te livrar» (Jr 1,6-8). Sua atividade profética se estende por mais de quarenta anos, dos últimos reis de Judá até a queda de Jerusalém em 587 a.C., um dos períodos mais dramáticos da história bíblica.

Ao longo desse período, Jeremias anuncia insistentemente, contra a opinião de profetas rivais que prometiam paz e segurança, que Jerusalém e o Templo seriam destruídos por causa da infidelidade do povo, e que a submissão à Babilônia — e não a resistência armada — era a única saída sensata diante do castigo divino já decretado. Essa pregação lhe rende perseguição sistemática: é açoitado e colocado no tronco pelo sacerdote Pasur (Jr 20,1-2), jogado numa cisterna lamacenta de onde quase morre soterrado (Jr 38,1-13), acusado de traição por aconselhar a rendição, e seu próprio rolo de profecias é cortado em pedaços e queimado pelo rei Joaquim (Jr 36). Ainda assim, num gesto simbólico de esperança em pleno cerco final da cidade, compra por ordem divina um campo em Anatote, sinalizando que «ainda se comprarão casas, campos e vinhas nesta terra» depois do exílio (Jr 32).

Jeremias é também autor de um conjunto único no Antigo Testamento — as chamadas «Confissões» (Jr 11-20), passagens autobiográficas de lamento pessoal em que o profeta expõe a Deus sua angústia, seu isolamento e até sua raiva por ter sido chamado a uma missão de sofrimento, chegando a amaldiçoar o dia de seu nascimento (Jr 20,14-18) — o que lhe valeu o epíteto tradicional de «profeta chorão». A tradição também lhe atribui o livro das Lamentações, cinco poemas fúnebres sobre a destruição de Jerusalém, embora a autoria jeremiana desse livro seja hoje discutida pela exegese moderna; e seu fiel escriba, Baruc, filho de Nerias, registra e preserva seus oráculos, tornando-se personagem com livro próprio na tradição bíblica mais ampla (o Livro de Baruc, presente no cânon católico).

Apesar do tom predominantemente sombrio, é justamente Jeremias quem transmite uma das promessas mais decisivas de toda a Escritura para a teologia cristã posterior: o anúncio de uma «nova aliança» que Deus faria com a casa de Israel, não como a antiga, escrita em tábuas de pedra, mas gravada diretamente no coração humano, com perdão definitivo dos pecados e conhecimento direto de Deus, «do menor ao maior» (Jr 31,31-34). O Novo Testamento retoma essa promessa como cumprida na pessoa e na obra de Cristo — as palavras da instituição da Eucaristia, «este é o cálice da nova aliança no meu sangue» (Lc 22,20), ecoam diretamente o oráculo de Jeremias — e a Carta aos Hebreus a cita por extenso como fundamento da superioridade do sacerdócio e da aliança cristã (Hb 8,8-12). Depois da queda de Jerusalém, Jeremias é levado à força para o Egito por um grupo de judeus fugitivos, e ali, segundo a tradição, encerra seus dias.

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