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Bíblia

Baruc

Coletânea deuterocanônica de oração penitencial, poema sapiencial e palavras de consolação a Jerusalém, atribuída ao secretário do profeta Jeremias, e que traz como capítulo final a Carta de Jeremias contra a idolatria.

Baruc
Testamento
Antigo Testamento
Gênero literário
Profético/sapiencial
Autor tradicional
Atribuído a Baruc, secretário de Jeremias
Composição
século II a.C. (composição final)
Cânon
Deuterocanônico

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O Livro de Baruc é um dos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento, ausente do cânon hebraico mas presente na Septuaginta grega e na Vulgata latina, e aceito como inspirado pela Igreja Católica. Seu nome deriva de Baruc, filho de Nerias, o escriba e secretário do profeta Jeremias, que aparece cerca de vinte e três vezes no Livro de Jeremias (cf. Jr 32; 36; 43; 45). O prólogo (1,1-14) situa a obra "no quinto ano, aos sete do mês, quando os caldeus tomaram e incendiaram Jerusalém", apresentando Baruc a ler o livro aos exilados na Babilônia, junto ao rio Sud, e a enviar o texto e uma coleta de dinheiro a Jerusalém para que fosse lido no Templo nas festas.

Quanto à estrutura, os estudiosos costumam distinguir quatro partes: a introdução narrativa (1,1-14); uma oração de confissão e penitência em nome do povo exilado (1,15-3,8); um poema sapiencial que identifica a Sabedoria com a Lei de Deus (3,9-4,4); e um poema de consolação e encorajamento dirigido a Jerusalém (4,5-5,9). A crítica moderna é praticamente unânime em rejeitar tanto Baruc quanto Jeremias como autores do conjunto e em datar a redação final fora do período do exílio babilônico, propondo o século II a.C. (por volta de 200-100 a.C.), com paralelos temáticos e linguísticos no Livro de Daniel e no Eclesiástico. A obra chegou-nos em grego, provavelmente traduzida de um original hebraico perdido, embora parte do texto possa ter sido composta diretamente em grego.

A chamada "Carta de Jeremias" figura como capítulo 6 do livro: trata-se de um discurso apologético contra a idolatria, que retoma e desenvolve temas de Isaías 44 e Jeremias 10. Na Septuaginta e nas Bíblias ortodoxas, a Carta costuma aparecer como obra separada; foi a Vulgata latina que a reuniu ao Livro de Baruc, recebendo a numeração de capítulo 6 a partir do século XIII. São Jerônimo, embora tivesse reservas — por não dispor de texto hebraico, relutava em contar o livro entre os canônicos —, acabou por incluí-lo na Vulgata. Padres como Atanásio de Alexandria e Cirilo de Jerusalém já o listavam como canônico, unido a Jeremias e Lamentações, e o Sínodo de Laodiceia (século IV) o menciona no mesmo conjunto. A canonicidade foi solenemente confirmada pelo Concílio de Trento (1546), que fixou o elenco dos livros deuterocanônicos.

Na liturgia católica, o livro tem presença marcante: Baruc 3,9-15.32-4,4 é a Sexta Leitura da Vigília Pascal, e Baruc 5,1-9 serve de primeira leitura no Segundo Domingo do Advento do Ano C, quando Jerusalém é convidada a depor o luto e revestir-se da glória de Deus. O livro não é citado explicitamente no Novo Testamento, mas a ele se atribuem ressonâncias em passagens como a encarnação da Sabedoria e a exortação a andar nos caminhos da vida.

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