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História da Igreja

Época moderna

Reforma protestante, Concílio de Trento e a reforma católica, expansão missionária e novas congregações.

Época moderna
Período
século XVI ao século XIX (limites aproximados)

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A partir de 1517, quando Martinho Lutero tornou pública sua crítica à pregação das indulgências, a Reforma protestante rompeu em poucas décadas a unidade religiosa da Europa ocidental, dando origem ao luteranismo, ao calvinismo, ao anglicanismo (1534) e a múltiplas correntes menores. A resposta doutrinal e disciplinar da Igreja Católica se articulou sobretudo no Concílio de Trento, convocado por Paulo III e concluído por Pio IV ao longo de vinte e cinco sessões entre 1545 e 1563: o concílio reafirmou a Escritura e a Tradição como fontes conjuntas da Revelação, definiu a doutrina sobre o pecado original, a justificação e os sete sacramentos, e determinou medidas de reforma profunda da vida clerical, como a criação obrigatória de seminários e a residência dos bispos em suas dioceses. Desse esforço nasceram, nas décadas seguintes, o Catecismo Romano (1566), o Breviário Romano (1568) e o Missal Romano (1570), que unificaram a liturgia latina por quatro séculos.

O mesmo período viu nascer ou se consolidar congregações e ordens de forte impulso missionário, educativo e de renovação espiritual. A Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola e aprovada pelo papa Paulo III em 1540, tornou-se o instrumento mais visível da chamada Contrarreforma, com colégios espalhados pela Europa católica e missões que levaram jesuítas como Francisco Xavier à Índia e ao Japão, e outros à China, à África e às Américas. Paralelamente, Teresa de Ávila e João da Cruz reformaram a ordem carmelita e deixaram, na tradição mística espanhola do século XVI, uma das expressões mais elaboradas da vida contemplativa cristã; Filipe Néri fundou o Oratório em Roma, e Carlos Borromeu, arcebispo de Milão, tornou-se modelo de aplicação prática das reformas tridentinas na vida diocesana.

A expansão missionária ligada à navegação europeia — a partir das viagens ibéricas iniciadas no século XV — levou a evangelização à América, à África e à Ásia, sob o sistema do padroado, que atrelava a ação missionária aos interesses das coroas de Portugal e Espanha. O período produziu tanto frutos duradouros, como as reduções jesuíticas na América do Sul e a inculturação tentada por missionários como Matteo Ricci na China, quanto episódios de violência, imposição cultural e cumplicidade com estruturas coloniais e escravistas, denunciados já na época por vozes como a do dominicano Bartolomeu de Las Casas.

Os séculos XVII e XVIII trouxeram novos desafios doutrinais e políticos: as controvérsias em torno do jansenismo e do quietismo, o regalismo das monarquias católicas — que reivindicavam maior controle sobre a Igreja em seus territórios — e, no plano intelectual, a ascensão do Iluminismo, que questionou frontalmente a autoridade religiosa tradicional. Sob pressão das coroas ibéricas e da França, o papa Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus em 1773, numa decisão revertida apenas em 1814 por Pio VII. A Revolução Francesa (1789-1799) radicalizou esse confronto, com a nacionalização dos bens eclesiásticos, a Constituição Civil do Clero e a perseguição direta ao clero refratário, culminando na prisão do papa Pio VI, morto em cativeiro em 1799.

O século XIX, marcado pelas guerras napoleônicas e pela restauração posterior, viu a Igreja perder definitivamente seu poder temporal com a ocupação de Roma pelo Reino da Itália em 1870, que pôs fim aos Estados Pontifícios. Nesse mesmo ano, interrompido pela invasão da cidade, o Concílio Vaticano I — convocado por Pio IX e reunido a partir de dezembro de 1869 — definiu o dogma da infalibilidade papal na constituição «Pastor Aeternus» e a relação entre fé e razão na constituição «Dei Filius». Esses acontecimentos fecham simbolicamente a época moderna e abrem caminho para os desafios da época contemporânea: a questão social, as guerras mundiais e, no século XX, o próprio Concílio Vaticano II.

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Fontes

  • Concílio de Trento (1545-1563), decretos e cânones
  • Concílio Vaticano I (1869-1870), Constituição Dogmática «Pastor Aeternus»
  • Denzinger-Hünermann, nn. 1500-1835
  • Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática «Dei Filius» (1870)
  • Todamateria.com.br, "Concílio de Trento"

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