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História da Igreja

Idade Média

Monaquismo, cristianização da Europa, universidades e escolástica; também o cisma entre Oriente e Ocidente.

Idade Média
Período
séculos V a XV (limites aproximados)

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Convencionalmente situada entre os séculos V e XV — da queda do Império Romano do Ocidente (476) à tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos (1453) ou à chegada europeia à América (1492) —, a Idade Média é o período em que a Igreja participa decisivamente da formação da civilização europeia, preenchendo em boa parte o vazio de autoridade deixado pelo colapso das estruturas administrativas romanas no Ocidente.

O monaquismo foi um dos grandes motores culturais desse tempo. A Regra de São Bento de Núrsia, escrita no século VI e organizada em torno do lema «ora et labora», tornou-se referência para a vida monástica ocidental, e os mosteiros beneditinos — depois também cluniacenses e cistercienses — funcionaram como centros de oração, mas também de agricultura, de copiagem e preservação de manuscritos antigos e de alfabetização, num período em que a instrução formal era rara fora deles. O chamado Renascimento Carolíngio, promovido por Carlos Magno a partir do século VIII, apoiou-se diretamente em escolas monásticas e catedralícias para recuperar o ensino do latim e dos textos clássicos.

No século XIII surgem as ordens mendicantes — os franciscanos, fundados por Francisco de Assis, e os dominicanos, fundados por Domingos de Gusmão —, que romperam com o modelo de mosteiro fixo e proprietário para viver da esmola e pregar nas cidades em plena expansão, respondendo a um contexto de urbanização crescente e ao surgimento de movimentos heterodoxos como o catarismo. É também o século em que nascem as primeiras universidades — Bolonha, Paris, Oxford — a partir de escolas catedralícias que obtiveram estatutos próprios de corporações de mestres e alunos, com currículos que incluíam artes liberais, direito, medicina e teologia.

Desse ambiente universitário nasceu a escolástica, método de investigação que buscava harmonizar a fé revelada com a razão filosófica, sobretudo à luz da obra de Aristóteles, redescoberta no Ocidente em boa parte através de traduções árabes e de contato com o mundo islâmico ibérico. Seu expoente maior foi Santo Tomás de Aquino, dominicano que lecionou em Paris e Nápoles e cuja «Summa Theologiae», deixada inacabada por sua morte em 1274, tornou-se referência duradoura da teologia católica; antes dele, Anselmo de Cantuária e Pedro Abelardo, entre outros, já haviam explorado os limites e as possibilidades desse diálogo entre fé e razão. O mesmo período consolidou o direito canônico como disciplina sistemática, sobretudo a partir do «Decreto de Graciano» (c. 1140), e viu florescer a arte gótica nas grandes catedrais — Chartres, Notre-Dame de Paris, Colônia — concebidas como verdadeiras sínteses teológicas em pedra e vitral.

A Idade Média foi também tempo de tensões e crises graves dentro da própria Igreja e nas suas relações com o poder temporal. A ruptura entre o cristianismo oriental de língua grega e o ocidental de língua latina, que vinha se aprofundando havia séculos por diferenças litúrgicas, disciplinares e sobre a autoridade do papado, teve em 1054 — quando delegados do papa Leão IX e o patriarca Miguel Cerulário trocaram excomunhões mútuas — seu marco tradicional, embora a separação efetiva das duas tradições tenha sido um processo gradual, agravado ainda mais pelo saque cristão de Constantinopla na Quarta Cruzada (1204). No plano político, a Querela das Investiduras, entre o papado reformador e o Sacro Império Romano-Germânico, opôs por décadas a autoridade espiritual e a autoridade temporal sobre a nomeação de bispos, com seu episódio mais dramático em Canossa (1077); disputas semelhantes marcariam também o conflito entre Bonifácio VIII e Filipe IV da França, no início do século XIV.

Os concílios medievais fazem parte central dessa história: de Latrão I (1123), primeiro concílio ecumênico do Ocidente latino, até o Concílio de Constança (1414-1418), que encerrou o Grande Cisma do Ocidente, passando por Latrão IV (1215), que definiu a transubstanciação eucarística, e pelo período conturbado do papado de Avinhão (1309-1377) e do próprio Grande Cisma, em que chegou a haver até três papas rivais simultaneamente. A Idade Média termina, para efeitos deste recorte didático, quando começam a se acumular as pressões — humanistas, políticas e religiosas — que desembocariam na Reforma protestante do século XVI.

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Fontes

  • Regra de São Bento
  • Santo Tomás de Aquino, «Summa Theologiae»
  • Documentos dos concílios ecumênicos medievais (vatican.va)
  • Graciano, «Decretum» (c. 1140)
  • Seusaber.com.br, "Universidades na Idade Média: Resumo"

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