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História da Igreja

Igreja primitiva

Da Pentecostes ao reconhecimento legal do cristianismo no Império Romano: era apostólica, Padres da Igreja e perseguições.

Igreja primitiva
Período
século I ao início do século IV (limites aproximados)

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O período começa com a Pentecostes e a pregação dos Apóstolos, narrada nos Atos dos Apóstolos, e se estende pelos primeiros séculos de expansão do cristianismo na bacia do Mediterrâneo, até a virada constantiniana do início do século IV.

Na chamada era apostólica, a mensagem cristã se difundiu a partir de Jerusalém para Antioquia, Éfeso, Corinto, Roma e outras cidades do Império, sobretudo pela ação missionária de Paulo de Tarso, cujas cartas às comunidades que fundou constituem os textos cristãos mais antigos que chegaram até hoje. A tradição situa o martírio de Pedro e de Paulo em Roma, sob Nero, por volta do ano 64-67 — Pedro crucificado de cabeça para baixo, por não se considerar digno de morrer como o Mestre, Paulo decapitado por ser cidadão romano.

Após a morte da última geração de apóstolos, a transmissão da fé passou aos chamados Padres apostólicos, discípulos diretos ou indiretos dos Doze: Clemente de Roma, cuja carta aos coríntios (c. 96) é um dos primeiros documentos cristãos fora do Novo Testamento; Inácio de Antioquia, que escreveu cartas às igrejas enquanto era levado a Roma para o martírio, por volta de 107-110, e nelas já testemunha uma estrutura de bispo, presbíteros e diáconos em cada comunidade; e Policarpo de Esmirna, martirizado já idoso em meados do século II. A eles se seguiram os apologistas — Justino Mártir é o mais conhecido — que procuraram explicar e defender a fé cristã diante da cultura greco-romana e das acusações de ateísmo, canibalismo ritual e imoralidade que circulavam contra os cristãos.

As perseguições romanas não foram um fenômeno contínuo, mas uma série de episódios localizados e intermitentes, que se agravaram em momentos específicos: sob Nero, após o incêndio de Roma em 64; sob Domiciano, no fim do século I; e, de forma mais sistemática e em escala imperial, sob Décio, em 250, que exigiu de todos os súditos um sacrifício público aos deuses do Estado, e sob Diocleciano, entre 303 e 311, na chamada Grande Perseguição, a mais violenta e extensa de todas. Nesses episódios morreram figuras como o bispo Cipriano de Cartago (258) e a jovem Perpétua, executada em Cartago com sua escrava Felicidade (203), cujo relato de martírio é um dos mais lidos da literatura cristã antiga. A memória dos mártires — preservada em atas, calendários locais e no culto junto aos seus túmulos — tornou-se estruturante da espiritualidade cristã antiga, dando origem à veneração de relíquias e à prática de celebrar a Eucaristia sobre sepulturas de mártires, prenúncio da futura consagração dos altares.

Enquanto isso, a Igreja consolidava sua organização interna. O episcopado monárquico — um único bispo à frente de cada comunidade local, cercado por presbíteros e diáconos — generalizou-se ao longo do século II. Formou-se progressivamente o cânon do Novo Testamento, num processo que levaria séculos até sua fixação definitiva, e desenvolveram-se as primeiras formas fixas de liturgia batismal e eucarística, descritas por exemplo na «Didaqué» e na «Primeira Apologia» de Justino. Surgiram também as primeiras grandes controvérsias doutrinais internas, como o gnosticismo — que negava a bondade da criação material e via em Cristo apenas uma aparência de corpo humano — e o combate que lhe moveram autores como Irineu de Lyon.

O Edito de Milão, acordo firmado em 313 entre os imperadores Constantino e Licínio, mudou radicalmente a situação jurídica dos cristãos no Império, concedendo-lhes liberdade de culto e determinando a restituição de bens confiscados. A conversão pessoal de Constantino, ainda que gradual e teologicamente ambígua até seu batismo em leito de morte (337), abriu caminho para um novo tipo de relação entre a Igreja e o poder político. Poucos anos depois, em 325, o próprio Constantino convocou e presidiu a abertura do Concílio de Niceia, o primeiro concílio ecumênico, reunido para responder à controvérsia ariana sobre a divindade do Filho. Esses dois marcos — o fim da perseguição legal e o início da era dos grandes concílios — são usados aqui como fronteira aproximada entre a Igreja primitiva e a Idade Média que se seguiria, embora o cristianismo só se tornasse religião oficial do Império sob Teodósio, pelo Edito de Tessalônica de 380.

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Fontes

  • Atos dos Apóstolos
  • Concílio de Niceia I (325) — Símbolo niceno
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 731-747 (Pentecostes e a Igreja)
  • Inácio de Antioquia, Cartas (c. 107-110)
  • Ata do martírio de Perpétua e Felicidade (203)
  • Minha Biblioteca Católica, "Igreja Primitiva: história dos primeiros cristãos"

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