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Apologética

Existe continuidade histórica real entre os Apóstolos e o papado de hoje, ou é uma construção tardia?

Já no século II, Irineu de Lyon documentava uma linha contínua de bispos de Roma desde Pedro, prova de que a sucessão apostólica é atestada muito antes do que sugerem certas críticas.

Objeção
O papado, como existe hoje, não seria uma invenção institucional muito posterior aos Apóstolos?

A objeção costuma supor que a estrutura de bispos sucedendo os Apóstolos, com um papel de destaque para o bispo de Roma, só teria se consolidado séculos depois, por razões políticas. Um dos testemunhos mais antigos contra essa leitura é o de Santo Irineu de Lyon, discípulo de Policarpo de Esmirna (que por sua vez fora discípulo do apóstolo João): por volta do ano 180, em sua obra "Contra as Heresias" (Livro III), Irineu já apresenta uma lista nomeada e contínua dos bispos de Roma desde Pedro e Paulo até Eleutério, seu contemporâneo, precisamente para refutar os gnósticos, mostrando que a fé apostólica podia ser rastreada publicamente através dessa sucessão, ao contrário das tradições secretas que os hereges alegavam possuir.

Irineu chama a Igreja de Roma "a mais importante e mais antiga, conhecida de todos", "com a qual, por causa de sua origem mais eminente, é necessário que concorde toda Igreja" — um testemunho já do século II sobre um papel de referência atribuído à sé romana. A questão histórica genuinamente debatida entre tradições cristãs não é, portanto, se havia sucessão episcopal desde cedo (isso é bem documentado), mas o alcance exato da autoridade que essa sucessão conferia ao bispo de Roma em particular — ponto que a Igreja Católica desenvolveu doutrinalmente ao longo dos séculos até a definição do Vaticano I, em 1870.

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Fontes

  • Irineu de Lyon, Adversus Haereses, Livro III, 3
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 861-862

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