História da Igreja
O Concílio de Trento
Concílio ecumênico do século XVI que respondeu doutrinal e disciplinarmente à Reforma Protestante, ao longo de quase vinte anos e três pontificados.

- Período
- Época moderna (1545-1563)
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Quando o papa Paulo III convocou o concílio geral que se reuniria em Trento, cidade do norte da Itália então parte do Sacro Império, o cristianismo ocidental já vivia mais de duas décadas de ruptura desde a publicação das 95 teses de Martinho Lutero, em 1517. Diversas tentativas anteriores de resolver a crise por meio de dietas imperiais e colóquios teológicos — como a Dieta de Worms (1521) e o Colóquio de Ratisbona (1541) — haviam fracassado, e a fragmentação religiosa da Europa central já era um fato consumado quando os primeiros padres conciliares finalmente se reuniram em Trento, em dezembro de 1545, depois de anos de adiamentos causados por disputas políticas entre o papa e o imperador Carlos V sobre onde e quando o concílio deveria ocorrer.
O Concílio de Trento distingue-se de quase todos os concílios anteriores por sua duração extraordinária: quase dezoito anos, entre 1545 e 1563, divididos em três períodos distintos de sessões, sob três papas sucessivos — Paulo III, Júlio III e Pio IV —, interrompidos por surtos de peste, guerras na Europa central e mudanças de sede (parte das sessões ocorreu em Bolonha). Ao longo desse tempo, participaram ao todo várias centenas de bispos, embora o número presente em cada sessão específica variasse enormemente, sendo geralmente menor nas fases iniciais e crescendo nas sessões finais de 1562-1563.
Doutrinalmente, Trento respondeu ponto a ponto às teses centrais da Reforma protestante: contra a tese luterana de que a Escritura sozinha (sola Scriptura) bastaria como fonte da fé, o concílio afirmou a Escritura e a Tradição apostólica como fontes conjuntas e inseparáveis da Revelação; contra a justificação só pela fé (sola fide), definiu que a justificação envolve a cooperação livre da pessoa com a graça; e reafirmou a existência e o número dos sete sacramentos, contestados por diversas correntes reformadas que reconheciam apenas batismo e eucaristia. O decreto sobre a Eucaristia, de 1551, consagrou o termo «transubstanciação» como descrição oficial da conversão do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo.
Tão importante quanto a resposta doutrinal foi a extensa reforma disciplinar que o concílio promoveu, respondendo a abusos internos que a própria Igreja reconhecia como reais e que haviam alimentado parte do descontentamento que originara a Reforma: a obrigatoriedade de residência dos bispos em suas dioceses, até então frequentemente ausentes; a proibição do acúmulo de múltiplos benefícios eclesiásticos por uma só pessoa; e, talvez a medida mais duradoura de todas, a determinação de que cada diocese criasse um seminário próprio para a formação dos futuros sacerdotes, elevando o nível teológico, moral e pastoral do clero de modo sistemático — um modelo de formação sacerdotal que, com adaptações, permanece em vigor até hoje.
Dos trabalhos tridentinos derivaram, nos anos seguintes ao encerramento do concílio, publicações que unificaram a vida católica por séculos: o Catecismo Romano (1566), o Breviário Romano (1568) e o Missal Romano (1570), que fixou a chamada «Missa tridentina», celebrada sem grandes alterações até a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, quatro séculos depois. Por tudo isso, Trento é considerado o marco fundador da Contrarreforma católica — ou, na terminologia preferida por muitos historiadores contemporâneos, da Reforma Católica —, o movimento de renovação interna que devolveu à Igreja coesão doutrinal e vigor disciplinar num momento de aguda fragmentação, preparando o terreno para o impulso missionário e espiritual que caracterizaria os séculos seguintes.
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Concílio de Trento
Concílios
Décimo nono concílio ecumênico, celebrado entre 1545 e 1563 em vinte e cinco sessões: respondeu à Reforma protestante definindo a doutrina sobre Escritura, justificação e sacramentos, e promoveu ampla reforma disciplinar, com a criação dos seminários.

Paulo III
Papas
Papa que convocou o Concílio de Trento em 1545 e aprovou a Companhia de Jesus, iniciando a resposta católica à Reforma Protestante.

São Pio V
Papas
Papa dominicano que fechou o Concílio de Trento, promulgou o Missal Romano de 1570 e organizou a coligação vitoriosa na Batalha de Lepanto.
A idade da Confirmação
Crisma
A tradição latina liga a Confirmação à "idade da discrição", mas a idade concreta variou ao longo da história e ainda hoje muda conforme a diocese.
