História da Igreja
A supressão da Companhia de Jesus (1773)
Dissolução temporária da Companhia de Jesus por pressão das monarquias europeias, revertida quatro décadas depois por Pio VII.

- Período
- Época moderna (1773-1814)
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A crise que levou à extinção temporária da Companhia de Jesus começou décadas antes de 1773, em meio ao clima intelectual do Iluminismo e ao fortalecimento do regalismo — a doutrina, difundida entre as monarquias católicas europeias, segundo a qual o Estado deveria ter controle amplo sobre assuntos eclesiásticos em seu território, inclusive sobre ordens religiosas de obediência direta a Roma. Os jesuítas, por sua riqueza econômica, sua influência educacional sobre as elites europeias como confessores e professores, e sua autonomia organizacional e missionária — sobretudo nas reduções da América do Sul, onde chegaram a formar praticamente um território autogovernado —, tornaram-se alvo prioritário desse movimento.
Portugal abriu o caminho: em 1759, o primeiro-ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, expulsou os jesuítas de todo o império português, acusando-os de conspiração contra a Coroa após o atentado contra o rei José I em 1758, e de resistência aos interesses da Coroa nas reduções guaranis, então disputadas entre Portugal e Espanha pelo Tratado de Madrid. Pombal moveu ainda intensa campanha de propaganda contra a Ordem em toda a Europa, atribuindo-lhe boa parte dos atrasos educacionais e econômicos de Portugal. A França seguiu o exemplo entre 1762 e 1764, dissolvendo a Companhia em seu território após um escândalo financeiro envolvendo um jesuíta na Martinica; a Espanha de Carlos III expulsou os jesuítas de todos os seus domínios, incluindo a América espanhola, em 1767, e o reino de Nápoles fez o mesmo no mesmo ano.
Com quatro das principais coroas católicas já tendo expulsado a Ordem de seus territórios e pressionando ativamente o papado pela supressão total, o papa Clemente XIV — eleito em 1769 num conclave em que essa pressão pesou fortemente sobre a escolha do novo pontífice — cedeu depois de anos de resistência e assinou, em 21 de julho de 1773, o breve «Dominus ac Redemptor», que suprimia a Companhia de Jesus em toda a Igreja Católica, dissolvendo formalmente seus votos religiosos coletivos, fechando seus colégios e confiscando seus bens, transferidos em geral a outras ordens ou ao Estado.
A supressão atingiu duramente a rede de ensino, missões e ciência que os jesuítas haviam construído ao longo de mais de dois séculos: milhares de colégios na Europa, na América e na Ásia perderam seus professores, e missões inteiras, como as reduções guaranis, ficaram sem seus fundadores e administradores, acelerando o declínio daquelas comunidades. Ainda assim, a Ordem sobreviveu, de modo formalmente irregular mas tolerado por Roma, em dois territórios não católicos cujos governantes se recusaram a promulgar o breve papal: a Prússia protestante de Frederico II, que via nos jesuítas professores valiosos para seu sistema educacional, e sobretudo o Império Russo da czarina Catarina II, onde a Igreja Ortodoxa era oficial e o decreto papal, portanto, não tinha efeito jurídico automático — nesses territórios, pequenos núcleos jesuítas mantiveram viva a tradição e a formação de novos membros durante todo o período de supressão.
A restauração da Companhia de Jesus veio com a mudança do quadro político europeu após as guerras napoleônicas: em 7 de agosto de 1814, o papa Pio VII, recém-retornado do exílio imposto por Napoleão, promulgou a bula «Sollicitudo Omnium Ecclesiarum», restabelecendo formalmente a Ordem em toda a Igreja, com base justamente no núcleo que sobrevivera na Rússia. A Companhia de Jesus reconstituída retomaria, ao longo do século XIX e além, seu papel de destaque na educação católica e na atividade missionária, hoje sendo a maior ordem religiosa masculina da Igreja Católica.
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Jesuítas (Companhia de Jesus)
Ordens Religiosas
Ordem fundada por Santo Inácio de Loyola, marcada pela obediência ao Papa, pela formação intelectual e pela missão.

Santo Inácio de Loyola
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Fidalgo basco convertido após ferir-se em batalha, fundador da Companhia de Jesus e autor dos Exercícios Espirituais.

São Francisco Xavier
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Cofundador da Companhia de Jesus, missionário na Índia, no Sudeste Asiático e no Japão, considerado padroeiro das missões católicas.

São Pedro Claver
Santos
Jesuíta espanhol que dedicou a vida à assistência aos africanos escravizados desembarcados em Cartagena das Índias, autointitulando-se "escravo dos escravos".
