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Heresias e Cismas

Catarismo

Movimento dualista medieval do sul da França que via a matéria como criação do mal, negando os sacramentos e a Encarnação.

Catarismo
Tipo
Heresia
Século
XII-XIII
Condenação
Concílio de Latrão IV (1215) e Cruzada Albigense (1209-1229)

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Os cátaros (do grego "katharoi", puros), que preferiam chamar a si mesmos de "bons homens" e "boas mulheres", concentravam-se sobretudo em cidades da região do Languedoc francês — Toulouse, Albi, Carcassonne — onde, já no século XII, comunidades e até paróquias inteiras haviam se afastado da fé católica, atraídas por uma pregação que denunciava a riqueza e a mundanidade do clero local. Sua doutrina retomava um dualismo radical de raízes remotamente maniqueístas: existiriam dois princípios opostos e eternos, um Deus bom, espiritual e invisível, e um deus mau, criador de tudo o que é material — incluindo o próprio corpo humano, visto como prisão da alma. Dessa cosmovisão decorria toda uma ética: rejeitavam o casamento e a procriação (que apenas aprisionariam mais almas na matéria), a alimentação de origem animal e os sacramentos da Igreja, considerados inúteis e corrompidos por uma hierarquia que os cátaros viam como aliada do poder e da riqueza terrena. A comunidade se dividia entre os "perfeitos", que haviam recebido o "consolamentum" (uma espécie de batismo espiritual) e viviam em rigorosa ascese, e os simples crentes, que podiam manter vida comum e receber aquele rito apenas perto da morte.

A resposta inicial da Igreja foi de pregação e persuasão: é dessa tentativa de converter os cátaros pela palavra, mais do que pela força, que nasceu em boa parte a Ordem dos Pregadores fundada por Domingos de Gusmão, que percorreu o Languedoc debatendo publicamente com líderes cátaros. O assassinato do legado papal Pedro de Castelnau em 1208, atribuído a agentes do conde Raimundo VI de Toulouse, levou o papa Inocêncio III a proclamar a Cruzada Albigense (1209-1229) — uma cruzada movida contra cristãos hereges dentro da própria Europa, e não contra muçulmanos na Terra Santa. Sob comando de nobres do norte da França, como Simão de Montfort, a cruzada tomou contornos de guerra de conquista territorial, com episódios de extrema violência, como o massacre de Béziers em 1209, quando milhares de habitantes — cátaros e católicos misturados — foram mortos.

A cruzada militar, encerrada em 1229 com a submissão do conde de Toulouse à coroa francesa, enfraqueceu o catarismo, mas não o extinguiu de imediato: o movimento sobreviveu de modo clandestino nas décadas seguintes, refugiando-se inclusive na fortaleza de Montségur, cujo cerco e queda em 1244 — com a execução em massa de mais de duzentos "perfeitos" na fogueira — tornou-se um dos episódios mais lembrados da repressão ao catarismo. Foi, na verdade, a Inquisição papal, criada e sistematizada a partir do Concílio de Latrão IV justamente em resposta a esse tipo de heresia, que conduziu ao longo do século XIII e início do XIV a perseguição sistemática e discreta que extinguiu definitivamente o movimento: em 1321, morreu na fogueira em Villerouge-Termenès o último "perfeito" cátaro conhecido, Guilhem Bélibaste.

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Fontes

  • https://www.360meridianos.com/cruzada-cristaos-historia-cataros/
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Cruzada_Albigense
  • https://www.nationalgeographic.pt/historia/fim-igreja-clandestina-ocaso-cataros_5656

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