Heresias e Cismas
Valdismo
Movimento leigo iniciado por Pedro Valdo, que pregava pobreza radical e leitura da Bíblia em língua vulgar; tolerado no início e depois condenado como herético.

- Tipo
- Heresia
- Século
- XII-XIII
- Condenação
- Concílio de Verona (1184) e Concílio de Latrão IV (1215)
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Pedro Valdo (em francês Pierre Vaudès, ou de Vaux; c. 1140–c. 1205), rico mercador de Lyon, viveu por volta de 1173 uma profunda conversão após ouvir a história de Santo Aleixo e refletir sobre a exigência evangélica de vender tudo o que se possui para seguir a Cristo. Distribuiu seus bens entre os pobres, deixou à esposa e às filhas parte de sua fortuna e passou a pregar nas ruas uma pobreza evangélica radical, reunindo em poucos anos um número considerável de seguidores, entre homens e mulheres, conhecidos como os "Pobres de Lyon" ou "Pobres do Espírito". Convencido de que o acesso direto às Escrituras era indispensável a essa vida de conversão, Valdo mandou traduzir trechos da Bíblia e de textos patrísticos para o occitano — a língua vernácula da região —, tornando-os acessíveis a leigos sem formação em latim, gesto que, num tempo em que a leitura bíblica era prerrogativa quase exclusiva do clero, já bastava para levantar suspeitas de heterodoxia.
O movimento pediu e obteve do papa Alexandre III, no Terceiro Concílio de Latrão (março de 1179, com cerca de 302 bispos), aprovação inicial ao seu voto de pobreza, com a condição de que só pregassem mediante autorização episcopal. Os valdenses, porém, persistiram em pregar livremente, por entenderem que o mandato de anunciar o Evangelho vinha diretamente de Deus e não podia depender de licença humana — justificando-se com o versículo de Atos 5,29: "mais importa obedecer a Deus do que aos homens". Essa desobediência, somada a posições que negavam a eficácia dos sacramentos ministrados por padres em pecado mortal e a crescentes críticas à hierarquia eclesiástica e à noção de purgatório, levou à condenação do movimento. Foi decisiva a bula Ad abolendam, decretal do papa Lúcio III promulgada em Verona a 4 de novembro de 1184, ao fim do sínodo reunido naquela cidade em outubro-novembro de 1184 com a cooperação do imperador Frederico I Barbarossa: o texto condenou nominalmente, entre outros grupos — cátaros, patarinos, humiliati, passagines, josefinos e arnaldistas —, os "Pobres de Lyon", e estabeleceu que os hereges que perseverassem após abjuração fossem entregues ao braço secular e que os bens dos condenados revertessem às igrejas. O Quarto Concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III, reafirmou a legislação antiberética e incluiu os valdenses entre os condenados.
Apesar da condenação, o valdismo se espalhou com rapidez incomum por boa parte da Europa — do sul da França ao Piemonte italiano, da Lorena à Boêmia, à Polônia e à Hungria —, sobrevivendo clandestinamente à repressão inquisitorial dos séculos seguintes graças a uma estrutura discreta de pregadores itinerantes (os "barbas") e a comunidades refugiadas nos vales alpinos do Piemonte, de difícil acesso para as autoridades. Historiadores reconhecem no ideal valdense de pobreza apostólica, leitura vernácula da Bíblia e crítica à riqueza eclesiástica um precursor indireto tanto das ordens mendicantes que surgiriam poucas décadas depois — franciscanos e dominicanos, que canalizaram para dentro da Igreja parte desse mesmo ímpeto de pobreza evangélica — quanto da Reforma Protestante do século XVI.
À Reforma as comunidades valdenses dos Alpes acabariam se filiando formalmente em 1532, no Sínodo de Chanforan, realizado nos vales valdenses, com a presença decisiva do reformador Guilherme Farel, que levou o sínodo a aderir às ideias da Reforma. Ali se decidiu igualmente investir 500 coroas de ouro numa tradução da Bíblia para o francês, confiada a Olivétan. O ministério itinerante dos pregadores foi então interrompido, e muitos deles tornaram-se pastores de comunidades reformadas. Perseguidos de modo especialmente violento — como no massacre da região do Luberon, em 1545 —, os valdenses constituem hoje uma pequena denominação protestante presente sobretudo na Itália e, por emigração, no Uruguai.
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São Francisco de Assis
Santos
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Concílio de Vienne
Concílios
Décimo quinto concílio ecumênico (1311-1312): decretou a supressão da Ordem dos Templários e tratou da pobreza franciscana e dos beguinos.

Franciscanos (Ordem dos Frades Menores)
Ordens Religiosas
Ordem mendicante fundada por São Francisco de Assis, marcada pela pobreza radical e pelo amor à criação.
