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Heresias e Cismas

Priscilianismo

Movimento de origem hispânica e tendência dualista, cujo fundador, Prisciliano de Ávila, foi o primeiro cristão executado como herege pelo poder civil.

Tipo
Heresia
Século
IV-VI
Condenação
Execução de Prisciliano (385); condenação doutrinal reiterada pelo I Concílio de Braga (561)

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Prisciliano, leigo culto e de família aristocrática que viria a ser eleito bispo de Ávila, na Hispânia romana (atual Espanha), desenvolveu por volta da década de 370 um movimento ascético de grande atração popular, especialmente entre mulheres e camadas menos favorecidas, que enxergavam nele uma alternativa mais rigorosa e espiritualmente exigente à religiosidade de um clero hispânico cada vez mais integrado às estruturas de poder e riqueza do Império. Sob influência de correntes gnósticas e maniqueístas então em circulação na região, Prisciliano opunha radicalmente a pureza da alma à natureza corruptora do corpo material, valorizava a leitura de textos apócrifos ao lado das Escrituras canônicas e sustentava posições consideradas heterodoxas sobre a Trindade, aproximando-se de fórmulas modalistas (que confundiam as Pessoas divinas). Sua pregação de jejuns severos, orações noturnas e retiro do convívio social comum atraiu numeroso séquito de discípulos, mas também opositores ferozes entre outros bispos da Península, temerosos tanto da heterodoxia quanto do sucesso popular do movimento.

Seus adversários episcopais conseguiram, por meio de manobras sucessivas, levar o caso ao usurpador imperial Magno Máximo, que havia recém-assassinado o imperador legítimo Graciano e se instalado em Tréveris, na Gália. Diante de um tribunal civil — e não eclesiástico —, Prisciliano foi acusado não apenas de heresia, mas de práticas de magia e de participar de reuniões noturnas com mulheres em situações consideradas licenciosas; sob tortura, obtiveram-se confissões usadas para condená-lo. Em 385, Prisciliano foi decapitado em Tréveris junto de vários seguidores, entre eles uma mulher chamada Eucrócia — tornando-se o primeiro cristão da história a ser executado pelo poder civil sob acusação formal de heresia.

O episódio chocou parte significativa do episcopado da época, não pela simpatia à doutrina priscilianista, mas pela gravidade do precedente: bispos como Martinho de Tours, presente em Tréveris no momento do julgamento, empenharam-se pessoalmente para impedir a execução ou ao menos evitar que a sentença fosse executada por bispos hispânicos hostis a Prisciliano, considerando inaceitável que a Igreja se valesse do braço secular para matar em razão de dissidência doutrinal; também o papa Sirício e Ambrósio de Milão manifestaram desaprovação ao uso da pena capital em matéria de fé, rompendo temporariamente a comunhão com os bispos hispânicos diretamente responsáveis pela acusação. Paradoxalmente, a execução transformou Prisciliano em mártir aos olhos de seus seguidores, fortalecendo, em vez de destruir, o movimento que levava seu nome: o priscilianismo sobreviveu como força religiosa relevante na Galécia (noroeste da Península Ibérica) por pelo menos dois séculos, sendo objeto de condenações doutrinais reiteradas em concílios hispânicos, como o Primeiro Concílio de Toledo (400) e, de modo mais sistemático, o Primeiro Concílio de Braga, em 561, que listou e refutou ponto a ponto suas principais teses.

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Fontes

  • https://blog.galiciamaxica.eu/prisciliano-el-santo-rebelde-de-galicia/
  • https://www.laguia2000.com/espana/el-priscilianismo
  • https://www.mcnbiografias.com/app-bio/do/show?key=prisciliano

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