Heresias e Cismas
Apolinarismo
Heresia que, ao enfatizar a divindade de Cristo contra o arianismo, acabou por negar-lhe uma alma humana racional plena.
- Tipo
- Heresia
- Século
- IV
- Condenação
- Concílio de Constantinopla I (381)
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Apolinário, bispo de Laodiceia, na Ásia Menor, nascido por volta de 310, foi durante décadas amigo pessoal e aliado próximo de Atanásio de Alexandria na luta contra o arianismo, além de erudito conhecedor das Escrituras que colaborou com o próprio pai — também chamado Apolinário — na composição de versões poéticas do Antigo Testamento e de diálogos platônicos inspirados no Novo, num esforço de oferecer aos cristãos uma literatura culta alternativa depois que o imperador Juliano, o Apóstata, proibiu-lhes o ensino dos clássicos pagãos.
Foi justamente no calor da controvérsia ariana, ansioso por afirmar com toda a força a unidade da pessoa de Cristo e sua plena divindade, que Apolinário desenvolveu um esquema cristológico que acabaria condenado como heresia: para ele, Cristo teria corpo humano e alma humana sensitiva (o princípio vital e das emoções), mas não uma mente ou alma racional humana plena — esse lugar, no seu esquema tripartite da pessoa, seria ocupado diretamente pelo Logos divino, substituindo a dimensão racional que normalmente completa a natureza humana. Apolinário argumentava que uma mente humana autônoma tornaria Cristo suscetível ao pecado e à instabilidade moral, ao passo que a presença direta do Logos no lugar do intelecto garantiria sua impecabilidade e a unidade indivisível de sua pessoa.
A consequência teológica dessa posição, porém, era grave: ao subtrair de Cristo uma mente racional humana, Apolinário comprometia a integralidade da natureza humana que o Verbo teria assumido na Encarnação — e, com ela, a própria lógica da salvação, segundo o princípio soteriológico consagrado pelos padres capadócios de que "aquilo que não foi assumido não foi curado" (ou redimido): se a razão humana não foi verdadeiramente assumida por Cristo, ela não teria sido salva por ele. Padres como Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa e Gregório de Nazianzo — os três Capadócios — dedicaram-se a refutar sistematicamente essa cristologia, sendo Gregório de Nazianzo autor de cartas teológicas particularmente incisivas contra Apolinário, com quem havia mantido inicialmente relação de simpatia por causa do combate comum ao arianismo.
A doutrina apolinarista foi condenada como heresia pelo Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381 — o mesmo concílio ecumênico que reafirmou a fé de Niceia contra o arianismo remanescente e definiu a plena divindade do Espírito Santo contra o macedonianismo. Apesar da condenação formal, Apolinário manteve seguidores organizados numa hierarquia paralela por algum tempo, e a preocupação de fundo que movera sua cristologia — como preservar a unidade da pessoa de Cristo sem diluir suas duas naturezas — continuaria a ecoar nas controvérsias cristológicas do século seguinte, alimentando indiretamente tanto o debate que levaria ao monofisismo de Êutiques quanto a reação antioquena que desembocaria no nestorianismo, ambos enfrentados, décadas depois, pelo Concílio de Calcedônia.
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Concílio de Constantinopla I
Concílios
Segundo concílio ecumênico (381), convocado por Teodósio I. Reafirmou Niceia contra o arianismo e completou o Credo com a divindade do Espírito Santo.

Concílio de Constantinopla II
Concílios
Quinto concílio ecumênico (553), convocado por Justiniano I. Condenou os Três Capítulos e reafirmou a cristologia dos concílios anteriores.

Concílio de Constantinopla III
Concílios
Sexto concílio ecumênico (680-681): condenou o monotelismo e definiu que Cristo possui duas vontades e duas operações, divina e humana.

Concílio de Constantinopla IV
Concílios
Oitavo concílio ecumênico para Roma (869-870): depôs Fócio, restaurou Inácio, promulgou 27 cânones e definiu a veneração das imagens; sua legitimidade é contestada pelo Oriente, que reconhece em seu lugar o sínodo de 879-880.
