Concílios · 5º concílio ecumênico
Concílio de Constantinopla II
Quinto concílio ecumênico (553), convocado por Justiniano I. Condenou os Três Capítulos e reafirmou a cristologia dos concílios anteriores.

- Posição
- 5º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 553
- Local
- Constantinopla (atual Istambul, Turquia)
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O Concílio de Constantinopla II nasceu de uma preocupação política e teológica de longa data do imperador Justiniano I, que via na persistência de suspeitas de nestorianismo dentro da própria tradição calcedoniana um obstáculo à reconciliação com as Igrejas do Oriente que haviam rejeitado Calcedônia. O concílio se inscreve ainda no prolongamento de um conflito anterior sobre o origenismo — as doutrinas atribuídas a Orígenes de Alexandria sobre a pré-existência das almas e a restauração final universal (apocatástase) —, que Justiniano já condenara por edito imperial em 543, com apoio de um sínodo local presidido pelo patriarca Menas.
A questão central do concílio, contudo, foram os chamados «Três Capítulos»: a pessoa e os escritos de Teodoro de Mopsuéstia, mestre de Nestório e figura de grande prestígio na tradição teológica de Antioquia; certos escritos de Teodoreto de Ciro contra Cirilo de Alexandria; e uma carta atribuída a Ibas de Edessa endereçada a Mari, o Persa — todos autores falecidos havia mais de um século, e os dois últimos formalmente reabilitados pelo próprio Concílio de Calcedônia em 451. Justiniano via nesses textos a raiz da persistência do nestorianismo, e esperava que sua condenação removesse a suspeita que os adversários miafisitas de Calcedônia lançavam sobre toda a tradição conciliar.
O concílio reuniu-se num anexo da igreja de Santa Sofia, em Constantinopla, de 5 de maio a 2 de junho de 553, presidido pelo patriarca Eutíquio de Constantinopla, com participação majoritariamente oriental — os decretos finais foram subscritos por cerca de 160 a 165 bispos, incluindo alguns africanos, mas com presença ocidental praticamente inexistente. Ao longo de oito sessões, os padres conciliares examinaram e condenaram formalmente os Três Capítulos por meio de um juízo doutrinal encerrado com catorze anátemas, ao mesmo tempo em que declaravam manter integralmente o que haviam definido os concílios anteriores de Niceia, Constantinopla I, Éfeso e Calcedônia — um esforço deliberado de mostrar continuidade doutrinal, e não ruptura, com a tradição conciliar recebida.
O episódio mais delicado de toda a assembleia envolveu o papa Vigílio, que se encontrava retido havia anos em Constantinopla sob pressão imperial direta. Vigílio inicialmente propôs que o concílio contasse com número igual de bispos orientais e ocidentais, proposta que Justiniano rejeitou; em 14 de maio de 553, o papa publicou seu próprio «Constitutum», subscrito por dezesseis bispos, que condenava sessenta proposições específicas de Teodoro de Mopsuéstia, mas recusava-se a condenar sua pessoa post mortem, e isentava Teodoreto e Ibas de qualquer censura, por já terem sido formalmente absolvidos em Calcedônia. Sob pressão contínua e depois de meses de resistência, Vigílio finalmente cedeu: em carta ao patriarca Eutíquio, de 8 de dezembro de 553, e num segundo «Constitutum», de fevereiro de 554, aprovou as decisões conciliares, alegando ter sido anteriormente enganado por conselheiros mal informados sobre o verdadeiro teor dos textos condenados.
A decisão foi mal recebida em boa parte do Ocidente latino, que via nela uma capitulação da autoridade papal diante da pressão imperial bizantina e uma revisão inaceitável de julgamentos já fechados em Calcedônia. As províncias eclesiásticas do norte da Itália, sobretudo Milão e Aquileia, romperam a comunhão com Roma no chamado cisma dos Três Capítulos, que em algumas regiões — como o patriarcado de Aquileia — só seria plenamente resolvido no final do século VII, quase cento e cinquenta anos depois do concílio.
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