Concílios · 5º concílio ecumênico
Concílio de Constantinopla II
Quinto concílio ecumênico, reunido em 553 por convocação de Justiniano I. Condenou os chamados Três Capítulos e reafirmou a cristologia dos quatro concílios anteriores.
- Posição
- 5º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 553
- Local
- Constantinopla (atual Istambul, Turquia)
O concílio reuniu-se em Constantinopla de 5 de maio a 2 de junho de 553, convocado pelo imperador Justiniano I e presidido pelo patriarca Eutíquio de Constantinopla. Participaram sobretudo bispos orientais, com presença ocidental reduzida; os decretos foram subscritos por cerca de 160 bispos, dos quais alguns africanos — as fontes divergem ligeiramente quanto ao total. O objeto central era a condenação dos chamados Três Capítulos: a pessoa e os escritos de Teodoro de Mopsuéstia, certos escritos de Teodoreto de Ciro e a carta a Mari, o Persa, atribuída a Ibas de Edessa, todos falecidos havia mais de um século.
Justiniano via nesses textos a raiz da persistência do nestorianismo e esperava que sua condenação por um concílio removesse a suspeita de nestorianismo que os adversários de Calcedônia lançavam sobre a Igreja imperial, favorecendo a reconciliação. Na oitava sessão, em 2 de junho de 553, o concílio condenou os Três Capítulos por meio de um juízo que termina com catorze anátemas, declarando ao mesmo tempo manter integralmente o que haviam definido os concílios de Niceia, Constantinopla, Éfeso e Calcedônia. A assembleia se inscreve também no prolongamento do conflito sobre o origenismo aberto pelo edito imperial de 543.
O papa Vigílio, retido em Constantinopla havia anos, resistira à condenação: em 14 de maio de 553 publicou seu "Constitutum", subscrito por dezesseis bispos, que rejeitava sessenta proposições de Teodoro de Mopsuéstia, mas poupava sua memória e recusava condenar Teodoreto e Ibas, inocentados em Calcedônia. Depois de meses de pressão, aprovou o concílio em carta a Eutíquio de 8 de dezembro de 553 e num segundo "Constitutum", de fevereiro de 554. No Ocidente a decisão foi mal recebida, e as províncias eclesiásticas de Milão e Aquileia romperam a comunhão com Roma no chamado cisma dos Três Capítulos.