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Heresias e Cismas

Macedonianismo

Heresia pneumatomaca que negava a plena divindade do Espírito Santo, considerando-o criatura subordinada ao Pai e ao Filho; condenada no Concílio de Constantinopla I (381).

Macedonianismo
Tipo
Heresia
Século
IV
Condenação
Concílio de Constantinopla I (381)

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Associado ao nome de Macedônio I, bispo de tendência semiariana de Constantinopla que ocupou a sé a partir de 342 — quando foi imposto à força pelos arianos com apoio do imperador Constâncio, que depôs Paulo, o bispo católico — e dela foi removido por volta de 360, em meio às disputas internas do próprio campo ariano, o macedonianismo designa uma doutrina que floresceu sobretudo depois de sua morte, entre clérigos e bispos do entorno de Constantinopla e da Ásia Menor, nas regiões próximas ao Helesponto. Seus adeptos são conhecidos também como "pneumatômacos" — do grego pneuma ("Espírito") e máchē ("combate"), isto é, "combatentes contra o Espírito" —, termo difundido por Atanásio de Alexandria, e chamados ainda de "tropici" em Alexandria. Não há escritos de Macedônio conservados; a doutrina do grupo é conhecida sobretudo por refutações adversárias, e Dídimo, o Cego, menciona "Breves Expedições" macedonianas que possuía.

Diferentemente do arianismo estrito, os macedonianos aceitavam em geral a consubstancialidade entre o Pai e o Filho definida em Niceia (325), mas recusavam estender esse estatuto pleno de divindade à Terceira Pessoa da Trindade: para eles, o Espírito Santo seria uma criatura espiritual, de natureza semelhante à dos anjos, subordinada ao Pai e ao Filho — interpretação apoiada em passagens como Hebreus 1,14, que fala dos anjos como "espíritos ministradores". A controvérsia ganhou corpo por volta de 358-360, quando Atanásio, exilado no deserto egípcio, foi consultado por seu amigo Serapião, bispo de Thmuis, no Egito, sobre um grupo de fiéis que, tendo abandonado o arianismo por horror à sua blasfêmia contra o Filho, continuava a chamar o Espírito de criatura. Atanásio respondeu com as quatro Cartas a Serapião, o primeiro grande tratado dedicado especificamente à divindade do Espírito Santo; e, de volta do exílio em 362, presidiu em Alexandria um concílio que produziu a primeira condenação formal dos pneumatômacos.

A questão ocupou profundamente os chamados padres capadócios. Basílio de Cesareia, bispo de Cesareia da Capadócia de 370 até sua morte (1.º ou 2 de janeiro de 379), escreveu por volta de 375 o tratado Sobre o Espírito Santo, dirigido contra os pneumatômacos, no qual — por prudência pastoral diante de ouvidos ainda hesitantes — evita deliberadamente chamar o Espírito diretamente de "Deus" e demonstra sua plena divindade a partir das Escrituras, da liturgia batismal e da doxologia da Igreja, numa estratégia teológica cautelosa. Seu irmão mais novo, Gregório de Nissa, compôs também um escrito Sobre o Espírito Santo. Foi, porém, o amigo de ambos, Gregório de Nazianzo, quem deu o passo que Basílio evitara: na sua Quinta Oração Teológica (Oração 31), afirmou explicitamente que o Espírito "é Deus" e consubstancial ao Pai e ao Filho. Gregório de Nazianzo chegou a censurar Basílio por não ter ido suficientemente longe nesse ponto.

A questão foi resolvida no Primeiro Concílio de Constantinopla, segundo concílio ecumênico, convocado pelo imperador Teodósio I e reunido de maio a 9 de julho de 381, inicialmente na igreja de Hagia Irene. Presidiu-o primeiro Meletio de Antioquia; com sua morte súbita, assumiu Gregório de Nazianzo e, por fim, Nectário. Dos cerca de 186 bispos reunidos, 36 eram semiarrianos ou macedônios: recusaram-se a subscrever a fé niceia em sua plenitude e foram afastados da assembleia, permanecendo 150 padres católicos. O cânon 1 do concílio anatematizou nominalmente, entre outras heresias, "a dos semiarrianos ou pneumatômacos", ao lado da dos eunomianos, arianos, sabelianos, marcelianos, fotinianos e apolinaristas. Quanto à doutrina, o concílio ampliou o antigo Credo de Niceia com uma seção inteiramente nova sobre o Espírito Santo, confessando-o "o Senhor e doador da vida, que procede do Pai, e que com o Pai e o Filho é coadorado e coglorificado, e que falou pelos profetas" — formulação que, sem empregar a palavra "consubstancial" por cautela pastoral, afirmava inequivocamente sua plena divindade. Teodósio ratificou os decretos por édito em 30 de julho de 381. O artigo passou a integrar o Credo niceno-constantinopolitano ainda hoje recitado nas liturgias católica, ortodoxa e de várias confissões protestantes.

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Fontes

  • Catholic Encyclopedia, verbete "Pneumatomachi" (newadvent.org/cathen/12157b.htm)
  • Philip Schaff, NPNF2-14: The Seven Ecumenical Councils, Excursus on the Heresies Condemned in Canon I (ccel.org)
  • Cânones do Primeiro Concílio de Constantinopla (381), cânon 1, em papalencyclicals.net/councils/ecum02.htm
  • Atanásio de Alexandria, Cartas a Serapião (Epistulae ad Serapionem), c. 358-360
  • Basílio de Cesareia, Sobre o Espírito Santo (De Spiritu Sancto), c. 375
  • Gregório de Nazianzo, Oração Teológica 31 (Sobre o Espírito Santo)
  • Wikipedia (EN), "Pneumatomachi" e "First Council of Constantinople"

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