Concílios · 6º concílio ecumênico
Concílio de Constantinopla III
Sexto concílio ecumênico (680-681): condenou o monotelismo e definiu que Cristo possui duas vontades e duas operações, divina e humana.
- Posição
- 6º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 680–681
- Local
- Constantinopla (atual Istambul, Turquia)
Convocado pelo imperador Constantino IV, o concílio reuniu-se em Constantinopla, no salão abobadado (trullus) do palácio imperial, de 7 de novembro de 680 a 16 de setembro de 681, ao longo de dezoito sessões. O papa Agatão, que não compareceu pessoalmente, enviara legados munidos de uma carta sinodal fruto de um sínodo romano anterior; morreu em janeiro de 681, antes do encerramento dos trabalhos, e foi sucedido por Leão II, a quem coube confirmar as decisões conciliares.
O concílio condenou o monotelismo — a doutrina segundo a qual Cristo teria uma só vontade e uma só operação, a divina — e definiu, em continuidade com Calcedônia, que nele subsistem duas vontades e duas operações naturais, divina e humana, "sem divisão, sem mudança, sem separação, sem confusão", estando a vontade humana em plena sujeição à vontade divina. Entre os condenados nominalmente esteve o papa Honório I, falecido havia décadas, acusado de não ter reprimido a tempo o erro monotelita em sua correspondência com o patriarca Sérgio de Constantinopla; ao confirmar o concílio, Leão II atribuiu a censura à negligência de Honório, não a uma profissão pessoal da heresia.
O episódio da condenação de um papa por um concílio ecumênico tornou-se referência recorrente nos debates posteriores sobre os limites da infalibilidade pontifícia, retomada séculos depois nas discussões preparatórias do Concílio Vaticano I.