Concílios · 8º concílio ecumênico
Concílio de Constantinopla IV
Oitavo concílio ecumênico (869-870): depôs o patriarca Fócio e restaurou Inácio, no contexto do conflito entre Roma e Constantinopla que antecedeu o Cisma do Oriente.
- Posição
- 8º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 869–870
- Local
- Constantinopla (atual Istambul, Turquia)
Convocado pelo papa Adriano II e pelo imperador Basílio I, o concílio reuniu-se em Constantinopla de outubro de 869 a fevereiro de 870, em dez sessões, contando com legados romanos, os patriarcas orientais ou seus representantes e um número reduzido de bispos bizantinos — cerca de cem ao final dos trabalhos. A convocação decorreu do conflito em torno da sé de Constantinopla: Fócio, elevado ao patriarcado em 858 após a deposição de Inácio, não fora reconhecido por Roma, e um sínodo reunido sob Fócio em 867 chegara a declarar excomungado o papa Nicolau I.
O concílio depôs Fócio, anulou os atos do sínodo de 867 e restaurou Inácio ao patriarcado. Promulgou 27 cânones disciplinares, entre eles a afirmação de que nenhuma modificação deveria ser introduzida no símbolo de fé sem o consenso comum das igrejas — princípio depois invocado, em sentidos opostos, nas discussões latinas e gregas sobre o Filioque.
A paz durou pouco: após a morte de Inácio, em 877, Fócio voltou ao patriarcado e presidiu, em 879-880, um novo sínodo em Constantinopla que revogou as decisões de 869-870 — sínodo que as Igrejas ortodoxas preferem reconhecer como o oitavo concílio ecumênico, ao contrário da tradição católica, que atribui esse lugar ao concílio de 869-870. O episódio é considerado um dos antecedentes diretos do Cisma do Oriente, consumado em 1054.