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Heresias e Cismas

Arianismo

Heresia do padre alexandrino Ário que negava a plena divindade do Filho, afirmando que Cristo foi criado pelo Pai e não é eterno.

Arianismo
Tipo
Heresia
Século
IV
Condenação
Concílio de Niceia (325) e Concílio de Constantinopla I (381)

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Ário, presbítero encarregado de uma importante igreja de Alexandria no início do século IV, começou a pregar que o Filho de Deus, embora superior a todas as demais criaturas e gerado antes de todos os tempos, não é coeterno nem consubstancial ao Pai: teria sido, na verdade, a primeira e mais perfeita das criaturas, trazida à existência pela vontade do Pai a partir do nada. Ário era um hábil divulgador e resumiu sua doutrina em fórmulas curtas e cantáveis, como o slogan que se tornaria símbolo da controvérsia: "houve quando ele não existia". Compostas em versos populares reunidos na obra "Thalia", essas fórmulas se espalharam rapidamente entre clérigos, monges e leigos, transformando uma disputa teológica alexandrina numa crise que ameaçava rachar a unidade do Império Romano recém-cristianizado.

Diante da rapidez com que a controvérsia dividia bispos e comunidades inteiras, o imperador Constantino, interessado em preservar a coesão religiosa do império, convocou em 325 o primeiro concílio verdadeiramente universal da história cristã, reunido na cidade de Niceia, na Ásia Menor, com a participação de cerca de 318 bispos vindos de todo o mundo mediterrâneo. O concílio condenou formalmente Ário e definiu, contra sua doutrina, que o Filho é "homoousios" (consubstancial, da mesma substância) ao Pai — fórmula que passaria a integrar o Credo niceno, ainda hoje recitado na liturgia.

A condenação conciliar, porém, estava longe de encerrar a disputa. Nas décadas seguintes, intrigas de corte e manobras políticas mantiveram viva a controvérsia: imperadores como Constâncio II chegaram a favorecer abertamente fórmulas de compromisso arianizantes, exilando repetidamente os bispos fiéis a Niceia. Atanásio de Alexandria, que ainda jovem diácono acompanhara o bispo Alexandre ao concílio, tornou-se ao longo de quase meio século o principal e mais obstinado defensor da fé niceia, sendo exilado de sua sé por cinco vezes diferentes por imperadores e sínodos hostis — episódio que deu origem à expressão "Atanásio contra o mundo" (Athanasius contra mundum). Somente em 381, sob o imperador Teodósio I, o primeiro Concílio de Constantinopla reafirmaria de modo definitivo a fé niceia, condenando de novo o arianismo e ampliando o Credo com a afirmação da divindade do Espírito Santo.

Mesmo derrotado nos concílios, o arianismo sobreviveu por séculos fora das fronteiras diretas do império, sobretudo graças à obra missionária do bispo ariano Ulfilas (ou Wulfila), que evangelizou os godos no século IV e traduziu a Bíblia para o gótico, semeando a fé ariana entre praticamente todos os povos germânicos que viriam a ocupar o Ocidente romano em decadência — visigodos, ostrogodos, vândalos, burgúndios e lombardos. Reinos germânicos arianos subsistiram na Itália, na Hispânia e no Norte da África até serem gradualmente reconvertidos ao catolicismo niceno entre os séculos VI e VII, como ocorreu de modo simbólico com a conversão do rei visigodo Recaredo no Terceiro Concílio de Toledo, em 589.

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Fontes

  • https://viacatolica.com.br/historia-das-heresias/o-arianismo-heresia-devastadora-dos-primeiros-seculos/
  • https://noticias.cancaonova.com/igreja/concilio-de-niceia-combateu-heresia-que-negava-divindade-de-jesus/
  • https://membros.institutosantoatanasio.org/niceia-e-o-neo-arianismo/

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