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Heresias e Cismas

Nestorianismo

Heresia de Nestório que via em Cristo duas pessoas distintas, humana e divina, negando a Maria o título de Mãe de Deus.

Nestorianismo
Dosseman — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Tipo
Heresia
Século
V
Condenação
Concílio de Éfeso (431)

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Nestório, monge sírio formado na escola teológica de Antioquia e elevado a patriarca de Constantinopla em 428, ensinava — ou ao menos foi amplamente entendido como ensinando, a partir de sermões de um presbítero de sua confiança — que em Cristo coexistiam duas pessoas distintas unidas apenas por uma conjunção moral e de vontades, uma plenamente humana e outra plenamente divina, e não uma única pessoa em duas naturezas. Coerente com essa leitura, Nestório recusava-se a chamar Maria de "Theotokos" ("Aquela que gera Deus", Mãe de Deus), título já consagrado na devoção popular e na tradição alexandrina, preferindo o termo "Christotokos" (Mãe de Cristo), por entender que Maria teria gerado apenas o homem Jesus, ao qual o Verbo divino se uniria depois.

Cirilo, patriarca de Alexandria e rival eclesiástico de Constantinopla havia tempos, liderou a oposição teológica e política a Nestório, argumentando que, sendo Cristo uma só Pessoa divina que assumiu a natureza humana (união hipostática), Maria gerou verdadeiramente Deus feito homem — negar-lhe o título de Theotokos equivaleria a dividir Cristo em dois sujeitos. Cirilo levou o caso ao papa Celestino I, que concordou com sua análise e autorizou-o a exigir de Nestório uma retratação em dez dias, sob pena de excomunhão; para deixar claros os termos da ortodoxia, Cirilo redigiu ainda uma lista de doze anátemas contra as posições nestorianas.

O impasse foi levado ao Terceiro Concílio Ecumênico, reunido em Éfeso em junho de 431 sob convocação do imperador Teodósio II — um dos concílios mais tumultuados da história da Igreja. Impaciente com o atraso dos bispos sírios favoráveis a Nestório e dos legados papais, Cirilo abriu os trabalhos em 22 de junho com cerca de cinquenta bispos egípcios e aliados, condenando e depondo Nestório à revelia. Quando os bispos sírios chegaram, poucos dias depois, reuniram um contraconcílio que por sua vez depôs e excomungou Cirilo; somente a chegada subsequente dos legados de Roma, que confirmaram a sentença cirilina, deu à condenação de Nestório o peso de decisão conciliar reconhecida.

Nestório foi deposto do patriarcado, exilado primeiro a um mosteiro no Egito e depois ao deserto da Líbia, onde morreu por volta de 451, sem nunca se retratar. O episódio, contudo, deixou fraturas duradouras: comunidades do Império Persa Sassânida e regiões da Síria e da Mesopotâmia, ligadas à tradição teológica antioquena, recusaram a condenação de Nestório e se separaram da comunhão com Roma e Constantinopla, dando origem à Igreja do Oriente — muitas vezes chamada, de modo impreciso, de "nestoriana" pelos seus adversários. Essa igreja, hoje conhecida como Igreja Assíria do Oriente, sobreviveu como minoria cristã no Iraque, no Irã e entre comunidades da diáspora, e desenvolveu ao longo da Idade Média intensa atividade missionária que levou o cristianismo até a Índia (cristãos de São Tomé) e a China.

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Fontes

  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeiro_Conc%C3%ADlio_de_%C3%89feso
  • https://apologistasdafecatolica.wordpress.com/2018/01/27/o-concilio-de-efesio-431-d-c/
  • https://www.infoescola.com/religiao/nestorianismo/

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