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Concílios · 3º concílio ecumênico

Concílio de Éfeso

Terceiro concílio ecumênico, reunido em 431 sob Teodósio II. Condenou o ensinamento de Nestório e confirmou o título de Theotokos, Mãe de Deus, dado à Virgem Maria.

Concílio de Éfeso
Foto: User:Palamède — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Posição
3º dos concílios ecumênicos
Anos
431
Local
Éfeso, Ásia Menor (atual Turquia)

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A controvérsia que levou ao Concílio de Éfeso nasceu da pregação de Nestório, monge sírio formado na escola teológica de Antioquia e nomeado bispo de Constantinopla em 428 pelo imperador Teodósio II. Preocupado em preservar com clareza a distinção entre a natureza humana e a natureza divina de Cristo, Nestório passou a rejeitar publicamente o título tradicional de «Theotokos» (Mãe de Deus) atribuído a Maria pela devoção popular, propondo em seu lugar o termo «Christotokos» (Mãe de Cristo), por entender que Maria gerara apenas a humanidade de Jesus. A posição foi vista por Cirilo, o poderoso e combativo bispo de Alexandria, como uma cristologia que dividia Cristo em duas pessoas distintas, contrariando a fé de que nele há uma só pessoa, o Verbo eterno encarnado. Cirilo denunciou os ensinamentos de Nestório em cartas doutrinais que se tornariam referências clássicas, e obteve já em agosto de 430 um sínodo romano, presidido pelo papa Celestino I, que condenou formalmente Nestório e exigiu sua retratação sob pena de excomunhão.

Diante da resistência de Nestório, o imperador Teodósio II convocou um concílio geral, reunido na igreja de Maria, em Éfeso, na Ásia Menor, de 22 de junho a 31 de julho de 431. As estimativas de participação variam nas fontes, situando-se em torno de duzentos bispos. O desenrolar foi marcado por tensões processuais graves: Cirilo, presidindo por delegação papal, abriu formalmente as sessões antes da chegada do grupo de bispos sírios liderados por João de Antioquia, que vinham apoiar Nestório — atraso que os antioquenos, ao chegar dias depois, denunciaram como manobra deliberada de exclusão.

Os bispos reunidos sob Cirilo condenaram a doutrina de Nestório, que foi deposto após recusar-se a comparecer, e receberam a segunda carta de Cirilo a Nestório como expressão da fé reta: aquele que Maria gerou é uma só pessoa, o Verbo eterno encarnado, e por isso ela é corretamente chamada Mãe de Deus — não por piedade popular, mas por exigência da própria fé cristológica. Em resposta, os bispos antioquenos liderados por João de Antioquia, chegados poucos dias depois, reuniram-se em concílio à parte e, por sua vez, depuseram e excomungaram Cirilo e o bispo local de Éfeso, Menon. A assembleia de Cirilo declarou ainda que o símbolo niceno bastava, proibindo a composição de qualquer outra fórmula de fé, e aproveitou para condenar também o pelagianismo, doutrina ocidental sobre a graça e o pecado original então em debate.

O desfecho foi, portanto, tumultuado: dois concílios rivais funcionando simultaneamente na mesma cidade, cada um depondo o outro lado. Coube ao imperador Teodósio II, diante do impasse, reconhecer como legítima a assembleia liderada por Cirilo, decisão que o papa Celestino I confirmou em Roma. A reconciliação entre Alexandria e Antioquia só veio dois anos depois, com a chamada Fórmula de União de 433, negociada diretamente entre Cirilo e João de Antioquia, que afirmava simultaneamente a unidade da pessoa de Cristo e a integridade plena de suas duas naturezas — antecipando em quase vinte anos a linguagem que o Concílio de Calcedônia consagraria definitivamente em 451.

Nestório, deposto e finalmente exilado por ordem imperial ao Alto Egito em 435, morreria décadas depois ainda defendendo, em seus escritos, não ter jamais ensinado a separação de Cristo em duas pessoas distintas — uma reivindicação que teólogos e historiadores modernos avaliam hoje com maior nuance do que a polêmica do século V permitia. O episódio abriu o chamado cisma nestoriano: comunidades do Oriente fiéis à cristologia antioquena sobreviveram sobretudo na Pérsia, fora do alcance do poder imperial romano, dando origem à tradição hoje conhecida como Igreja Assíria do Oriente, que preserva até hoje linhagem eclesial e litúrgica própria, com pequenas comunidades também na Índia.

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Fontes

  • Wikipédia (en), 'Council of Ephesus'
  • Catholic Encyclopedia (New Advent), 'Council of Ephesus'
  • EWTN, 'Ephesus, 431'
  • OrthodoxWiki, 'Third Ecumenical Council'
  • Cirilo de Alexandria, Segunda Carta a Nestório (430)
  • New World Encyclopedia, "Council of Ephesus"

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