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Concílios · 4º concílio ecumênico

Concílio de Calcedônia

Quarto concílio ecumênico (451), sob o imperador Marciano. Definiu Cristo como uma só pessoa em duas naturezas, sem confusão nem separação.

Concílio de Calcedônia
Posição
4º dos concílios ecumênicos
Anos
451
Local
Calcedônia, Bitínia (atual Kadıköy, Istambul, Turquia)

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O caminho até Calcedônia passou por um episódio conturbado, hoje conhecido como o «Concílio dos Ladrões» (Latrocinium). Em 448, o arquimandrita Êutiques, superior de um mosteiro em Constantinopla e figura de grande prestígio na corte imperial, foi acusado de ensinar que, após a encarnação, a natureza humana de Cristo teria sido absorvida pela natureza divina, restando nele uma única natureza — posição conhecida como monofisismo. Condenado por um sínodo local presidido pelo bispo Flaviano de Constantinopla, Êutiques recorreu ao poderoso bispo de Alexandria, Dióscoro, sucessor de Cirilo, que obteve do imperador Teodósio II a convocação de um novo concílio geral em Éfeso, em 449. Nesse concílio, que a posteridade rejeitaria e apelidaria de «Concílio dos Ladrões» — expressão cunhada pelo próprio papa Leão Magno —, Dióscoro presidiu de forma autoritária, recusou-se a permitir a leitura do «Tomo de Leão» (a carta doutrinal que o papa enviara a Flaviano), reabilitou Êutiques e depôs violentamente Flaviano, que morreria dias depois em consequência dos maus-tratos sofridos.

Apenas a morte de Teodósio II, numa queda de cavalo em 450, e a ascensão de Marciano e de sua esposa Pulquéria ao trono permitiram reverter a situação. Convocado por Marciano, o novo concílio foi inicialmente marcado para Niceia e depois transferido para Calcedônia, na margem asiática do Bósforo, defronte a Constantinopla, por conveniência e segurança; abriu-se em 8 de outubro de 451 e encerrou-se em 1º de novembro. O papa Leão Magno não presidiu pessoalmente, fazendo-se representar por legados — entre eles Pascasino e o presbítero Bonifácio. O número de participantes é transmitido de modo divergente pelas fontes: o próprio Leão fala em 600 bispos, uma carta a ele dirigida fala em 500, e estimativas correntes apontam mais de 520, o que faz de Calcedônia o mais numeroso e mais bem documentado dos primeiros concílios ecumênicos, com uma participação esmagadoramente oriental.

O concílio anulou formalmente as decisões do «Concílio dos Ladrões», depôs e exilou Dióscoro de Alexandria, e ratificou solenemente o símbolo de Niceia e o de Constantinopla de 381. Acolheu como expressão autêntica da fé as cartas sinodais de Cirilo de Alexandria e o «Tomo de Leão» a Flaviano, que os bispos presentes, segundo o relato tradicional, saudaram com a aclamação «Pedro falou pela boca de Leão». A «Definição da Fé» foi aprovada na quinta sessão e promulgada solenemente na sexta, diante do próprio imperador: um só e mesmo Cristo, perfeito na divindade e perfeito na humanidade, consubstancial ao Pai segundo a divindade e a nós segundo a humanidade, reconhecido em duas naturezas «sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação» — fórmula que se tornaria a base de toda a cristologia ortodoxa posterior, tanto católica quanto bizantina.

O concílio publicou ainda 27 cânones disciplinares sobre administração e autoridade eclesiásticas. O decreto conhecido como cânon 28 procurava elevar a sé de Constantinopla, «a Nova Roma», a uma honra comparável à de Roma, disposição que os legados papais contestaram formalmente durante o próprio concílio e que a Santa Sé jamais aceitou, por considerá-la fundada em critérios de relevância política, e não em origem apostólica.

A recepção da fórmula calcedoniana das «duas naturezas» esteve longe de ser unânime: importantes Igrejas de tradição não grega — a maior parte do episcopado copta no Egito, boa parte do clero sírio e armênio, e mais tarde a Etiópia — recusaram-se a aceitá-la, por considerá-la excessivamente próxima do nestorianismo já condenado em Éfeso, preferindo a fórmula miafisita de uma «única natureza do Verbo encarnado». Essa recusa provocou a ruptura das Igrejas que a rejeitaram, dando origem ao cisma calcedoniano, na raiz da separação que ainda hoje distingue as chamadas Igrejas Ortodoxas Orientais tanto de Roma quanto das Igrejas ortodoxas bizantinas de tradição grega, embora diálogos teológicos recentes tenham reduzido significativamente o peso dessas antigas divergências cristológicas.

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Fontes

  • Wikipédia (en), 'Council of Chalcedon'
  • Wikipédia (en), 'Chalcedonian Definition'
  • Papal Encyclicals Online, 'The Council of Chalcedon – 451 A.D.' (introdução e Definição da fé)
  • New Advent / Church Fathers, atas do Concílio de Calcedônia (451)
  • Leão Magno, «Tomo de Leão» (Carta a Flaviano, 449)
  • Wikipédia (pt), "Concílio de Calcedónia"

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