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Heresias e Cismas

Cisma do Oriente (Grande Cisma de 1054)

Ruptura entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla, marcando a separação entre catolicismo e ortodoxia que persiste até hoje.

Cisma do Oriente (Grande Cisma de 1054)
Foto: Barrikader (talk · contribs) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
Tipo
Cisma
Século
XI
Condenação
Excomunhões mútuas de 1054, formalmente revogadas em 1965

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O rompimento de 1054 não nasceu de um único desentendimento, mas do acúmulo de séculos de tensões entre as duas grandes metades da cristandade. No plano doutrinal, pesava sobretudo a cláusula "Filioque" ("e do Filho"), acrescentada ao Credo niceno-constantinopolitano nas igrejas ocidentais para afirmar que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho — adição que os bizantinos consideravam tanto teologicamente discutível quanto ilegítima por ter sido feita sem um novo concílio ecumênico. A isso somavam-se diferenças litúrgicas e disciplinares que hoje pareceriam menores, mas que então carregavam forte carga simbólica: o uso de pão ázimo (sem fermento) na eucaristia latina, contrariado pela prática bizantina do pão fermentado, e o celibato obrigatório do clero latino, ausente na tradição oriental. No fundo de tudo, havia ainda a questão de poder: a afirmação cada vez mais explícita, em Roma, da autoridade universal e direta do papa sobre toda a Igreja, num momento em que Constantinopla via a si mesma como sede de um império e de um patriarcado de honra comparável, senão superior, ao romano.

O estopim veio em 1054, quando o papa Leão IX enviou a Constantinopla uma legação chefiada pelo cardeal Humberto de Silva Cândida, num contexto agravado pelo fechamento de igrejas latinas na capital bizantina por ordem do patriarca Miguel Cerulário. As negociações fracassaram, e em 16 de julho de 1054 Humberto depositou sobre o altar da Basílica de Santa Sofia uma bula excomungando Cerulário e seus seguidores — ato de legitimidade discutível, já que o papa Leão IX havia morrido pouco antes, o que tecnicamente extinguia os poderes do legado. Poucos dias depois, um sínodo reunido por Cerulário respondeu excomungando Humberto e os demais legados papais.

Curial e localizado como foi, o episódio não foi percebido de imediato como uma ruptura definitiva e irreversível entre duas Igrejas: excomunhões mútuas entre Roma e Constantinopla já haviam ocorrido antes, como no Cisma de Fócio do século IX, e comunidades de ambos os lados continuaram, por algum tempo, a manter contatos. O que consolidou a separação foi sobretudo o desenrolar dos séculos seguintes — em especial o saque brutal de Constantinopla pelos cruzados ocidentais da Quarta Cruzada, em 1204, que profanou igrejas bizantinas, saqueou relíquias e instalou por décadas um Império Latino no coração do mundo grego, deixando uma desconfiança profunda e duradoura entre gregos e latinos.

Apesar de tentativas de reunião nos Concílios de Lyon (1274) e de Ferrara-Florença (1439), nenhuma delas se sustentou na prática, e a queda de Constantinopla para os otomanos em 1453 selou politicamente a separação. A ruptura entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas orientais (bizantinas), a maior cisão dentro do cristianismo calcedoniano, persiste institucionalmente até hoje, embora o diálogo ecumênico do século XX tenha produzido gestos históricos de reconciliação: em 1965, o papa Paulo VI e o patriarca ecumênico Atenágoras I revogaram solenemente, em declaração conjunta, as excomunhões mútuas de 1054 — sem que isso, tecnicamente, restaurasse a plena comunhão eucarística entre as duas Igrejas.

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Fontes

  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Cisma
  • https://www.todamateria.com.br/cisma-do-oriente/
  • https://www.conexao-romana.com.br/l/catholica-121-o-grande-cisma-do-oriente-de-1054/

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