Concílios · 14º concílio ecumênico
Concílio de Lyon II
Décimo quarto concílio ecumênico (1274): selou uma união, de curta duração, com a Igreja grega e regulou o conclave para a eleição papal.

- Posição
- 14º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 1274
- Local
- Lyon (França)
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A eleição do próprio papa Gregório X já havia sido, em si, um sintoma da crise que ele buscaria resolver: seu antecessor, Clemente IV, morreu em 1268, e o conclave seguinte, reunido em Viterbo, arrastou-se por quase três anos em meio a disputas entre facções de cardeais, sem conseguir eleger um sucessor — a mais longa vacância papal da história, resolvida somente quando as autoridades civis de Viterbo, exasperadas, trancaram os cardeais numa sala e reduziram-lhes a alimentação até que finalmente chegassem a um nome de consenso, o próprio Gregório X, então ausente na Terra Santa como peregrino cruzado.
Marcado por essa experiência, Gregório X convocou o concílio que se reuniria em Lyon, aberto em 7 de maio de 1274 e encerrado em 17 de julho do mesmo ano, ao longo de seis sessões relativamente rápidas para os padrões conciliares medievais. Participaram cerca de quinhentos bispos, quinze cardeais e mais de mil outros dignitários eclesiásticos, além de embaixadores do imperador bizantino Miguel VIII Paleólogo e de vários reinos ocidentais. Dois dos maiores teólogos do século estavam entre os convocados: São Boaventura, ministro geral dos franciscanos e um dos principais articuladores dos trabalhos conciliares, morreu durante as próprias sessões, em 15 de julho de 1274; São Tomás de Aquino, convocado para participar, morreu a caminho de Lyon, na abadia cisterciense de Fossanova, em 7 de março daquele mesmo ano, privando o concílio de sua contribuição teológica direta.
O objetivo central da assembleia era duplo: relançar uma nova cruzada de socorro à Terra Santa, então sob pressão crescente das forças mamelucas, e selar a tão desejada união entre as Igrejas latina e grega, separadas desde o Cisma de 1054. Na quarta sessão, em 6 de julho de 1274, os legados gregos professaram, em nome do imperador Miguel VIII e do episcopado bizantino, uma fórmula de fé que incluía a procissão do Espírito Santo do Pai e do Filho (Filioque) e reconhecia o primado do bispo de Roma, selando formalmente a chamada «União de Lyon». O senador bizantino Jorge Acropolita, representante do imperador, prestou o juramento de união em seu nome — um detalhe processual que se revelaria problemático, pois a autorização plena do soberano para tal juramento seria depois contestada.
O concílio regulou ainda, de modo minucioso, o processo de eleição papal por meio da constituição «Ubi periculum», resposta direta à experiência traumática da vacância de quase três anos que precedera a eleição do próprio Gregório X: os cardeais reunidos em conclave passariam a ficar reclusos, isolados do mundo exterior, com restrições progressivas de alimento — reduzidas a pão, água e vinho — caso a eleição se prolongasse além de determinados prazos, numa tentativa de pressionar os eleitores a chegar rapidamente a um consenso.
A União de Lyon, apesar do sucesso diplomático aparente, revelou-se de curta duração: recebida pelo imperador Miguel VIII sobretudo como manobra política para afastar a ameaça de uma cruzada latina contra o próprio Império Bizantino, jamais foi genuinamente aceita pelo clero e pelo povo de Constantinopla, que a viam como capitulação teológica imposta por necessidade política. Foi formalmente repudiada por um sínodo reunido em Constantinopla em 1282, logo após a morte de Miguel VIII, sob seu filho e sucessor Andrônico II, que reverteu publicamente a política unionista de seu pai.
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