Concílios · 17º concílio ecumênico
Concílio de Basileia-Ferrara-Florença
Décimo sétimo concílio ecumênico (1431-1445): buscou, com sucesso efêmero, a união entre a Igreja latina e as Igrejas orientais, entre elas a grega e a armênia.

- Posição
- 17º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 1431–1445
- Local
- Basileia, Ferrara, Florença e Roma
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Convocado ainda por Martinho V pouco antes de sua morte, e efetivamente aberto sob seu sucessor Eugênio IV em 25 de julho de 1431, na cidade suíça de Basileia, o concílio nasceu diretamente do compromisso assumido pelo decreto «Frequens» do Concílio de Constança, que determinara a convocação periódica de concílios gerais. Desde o início, porém, a assembleia de Basileia entrou em conflito aberto e prolongado com o papa Eugênio IV: a maioria dos padres conciliares ali reunidos sustentava, na linha do conciliarismo que Constança deixara como legado ambíguo, a superioridade da autoridade do concílio sobre a do próprio papa, mesmo em matéria de fé e governo da Igreja. Quando Eugênio IV tentou dissolver o concílio em 1431, a maioria dos padres conciliares recusou-se a obedecer, e o conflito se arrastaria por anos, culminando na deposição formal de Eugênio IV pelos radicais de Basileia e na eleição de um antipapa, Amadeu VIII, duque de Sabóia, que assumiu o nome de Félix V (1439-1449), prolongando em Basileia um concílio dissidente que se tornaria cada vez mais irrelevante e isolado.
A parte do concílio que permaneceu fiel a Eugênio IV e que a Igreja Católica reconhece como legítima foi transferida por decisão papal para Ferrara, em 1438, e depois para Florença, em 1439, em parte por causa de uma epidemia de peste que ameaçava Ferrara, e em parte porque a rica cidade de Florença se dispôs a financiar generosamente os trabalhos conciliares; entre 1442 e 1445, as últimas sessões ocorreram já em Roma, no Latrão.
O objetivo central e mais ambicioso da fase de Ferrara-Florença foi a união com as Igrejas cristãs orientais, separadas de Roma havia séculos. Buscando essa reconciliação com urgência renovada diante da ameaça crescente do avanço turco-otomano sobre o que restava do Império Bizantino, o imperador João VIII Paleólogo viajou pessoalmente à Itália, acompanhado do patriarca José II de Constantinopla, que morreria ainda durante os trabalhos conciliares, e de uma delegação de teólogos e bispos gregos. Após meses de debates teológicos intensos sobre o Filioque, o purgatório e o primado papal, foi finalmente assinado, em 6 de julho de 1439, o decreto «Laetentur Caeli», que selava solenemente a união com os gregos: os representantes bizantinos aceitaram a procissão do Espírito Santo do Pai e do Filho e reconheceram o primado do bispo de Roma; apenas o teólogo e bispo Marcos Eugênico de Éfeso recusou-se terminantemente a subscrever o acordo, tornando-se depois, na tradição ortodoxa, símbolo de resistência à união imposta.
Nos anos seguintes, uniões semelhantes, ainda que de alcance e duração variados, foram firmadas com outras comunidades cristãs orientais: com os armênios em novembro de 1439, apesar da posterior deposição do catholicos armênio que apoiara o acordo; e com os coptas egípcios e os etíopes em 1442, ampliando o escopo ecumênico do concílio a comunidades que remontavam à própria antiguidade cristã do Egito e da Etiópia.
Apesar do sucesso diplomático imediato, a união com os gregos jamais foi genuinamente recebida pelo clero e pelo povo de Constantinopla, que a viam como concessão teológica imposta por necessidade política diante da ameaça otomana, e desfez-se definitivamente na prática após a queda da própria Constantinopla para os turcos, em 1453 — um colapso político que, aos olhos de muitos bizantinos, pareceu confirmar que a união religiosa não trouxera o socorro militar ocidental que dela se esperava. Do concílio resultou ainda, na sessão de Florença, o importante decreto «Cantate Domino» (1442), que expôs de modo sistemático a doutrina católica sobre os sete sacramentos e sobre a necessidade da Igreja para a salvação.
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