Milagres Eucarísticos
Milagre Eucarístico de Ferrara
Segundo a tradição, na Missa de Páscoa de 28 de março de 1171, gotas de sangue teriam respingado da hóstia até a pequena abóbada sobre o altar da igreja de Santa Maria in Vado, em Ferrara.

- Local
- Ferrara (Itália)
- Data
- 1171 (segundo a tradição)
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O milagre eucarístico de Ferrara é tradicionalmente datado do domingo de Páscoa de 28 de março de 1171, na então igreja de Santa Maria Anteriore — hoje Basílica de Santa Maria in Vado. Segundo o relato transmitido, o prior Pietro da Verona, dos cônegos regulares portuenses, celebrava a Missa da Ressurreição assistido pelos confrades Bono, Leonardo e Aimone; no momento da fração da hóstia, esta teria assumido aparência de carne e dela teria jorrado um fio de sangue que respingou na pequena abóbada acima do altar. O relato afirma ainda que muitos fiéis disseram ter visto, na hóstia, a figura de um menino.
A notícia espalhou-se rapidamente pela cidade. Acorreram ao local Amato, bispo de Ferrara, e Gherardo, arcebispo de Ravena — a quem a igreja, confiada aos cônegos portuenses, estava sujeita —, que ouviram as testemunhas e reconheceram o caráter miraculoso do fato. O local tornou-se meta de peregrinação, e a fama do prodígio impulsionou a reconstrução do templo, que, já como basílica, foi consagrado em 1518. A documentação posterior reforça a tradição: Giraldo Cambrense registra o episódio na Gemma Ecclesiastica já por volta de 1197, e o papa Eugênio IV, na bula Cantate Domino de 7 de abril de 1442, escreveu que a igreja de Santa Maria in Vado «deve ser honrada, porque nela o corpo e o sangue de Cristo apareceram manifestamente durante a missa». O episódio também é recordado por Bento XIV no De servorum Dei beatificatione et beatorum canonizatione.
No plano material, a pequena abóbada manchada de sangue foi preservada e, em 26 de março de 1501, transferida da parede original para o braço direito do transepto. Em 1594-1595, por vontade do duque Afonso II d'Este, o arquiteto Alessandro Balbi construiu ao seu redor um tempietto — uma capela dupla, com colunetas dóricas e jônicas, à qual se sobe por escadas laterais —, enquadrado no século XVIII pelo afresco da Tenda do Padre Eterno, de Francesco Parolini, com decorações laterais de Giacomo Filippi e Giuseppe Antonio Ghedini. Os tetos da nave central, do transepto e do coro foram decorados pelo pintor ferrarense Carlo Bononi, com auxílio de Giulio Cromer.
O prodígio é habitualmente situado no contexto dos movimentos heréticos ativos em Ferrara e na Itália de então, como o dos cátaros, apresentando-se como resposta providencial às dúvidas sobre a presença real. Aos olhos da piedade popular e da literatura local, o testemunho mais duradouro do evento é a própria abóbada manchada, ainda hoje conservada e venerável no tempietto — o «Preciosíssimo Sangue» de Santa Maria in Vado.
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